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18 de Abril de 2008 - 22h32 -
Última modificação
em 19 de Abril de 2008 - 16h32
Lugo diz que não quer romper relações com nenhum país
Ana Luiza Zenker
Enviada especial
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Antônio Cruz/ABr
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Assunção (Paraguai) - O candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol) à Presidência do Paraguai, Fernando Lugo, fala à imprensa
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Assunção (Paraguai) - O candidato à Presidência do Paraguai Fernando Lugo, da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), afirmou hoje (18) que não pretende cortar relações com nenhum país. Nem mesmo com o Brasil, apesar de continuar defendendo a revisão dos valores pagos ao Paraguai pela energia que este não consome da sua parte na Usina de Itaipu.
“Não está em nossos planos cortar relações”, afirmou. No entanto, disse que “o Paraguai não vai se inclinar [a outros países], mas vai manter sua independência”.
Lugo voltou a afirmar que os dois tratados assinados pelo Paraguai na década de 1970 para a construção das usinas bilaterais de Itaipu (com o Brasil) e de Yaciretá (com a Argentina) “se deram em condições onde havia uma grande lacuna e falência da democracia e não houve participação dos cidadãos”.
De acordo com ele, o Brasil não paga um preço justo pela energia paraguaia. Na sua opinião, o pais paga preço de custo e não de mercado. “A Venezuela não dá seu petróleo a preço de custo”, disse.
Ele afirmou que se for eleito vai querer pelo menos renegociar o preço pago pelo Brasil pela energia que o Paraguai não usa e cede ao país, já que, segundo ele, não há como renegociar todo o Tratado de Itaipu. “Não há como revisar um tratado se não há vontade das duas partes e provavelmente não há”, disse.
Em relação à proposta de reforma agrária, ele disse que os que têm terras produtivas e legalizadas não precisam ter medo de perder as suas terras, mesmo que sejam grandes proprietários. “Aqui não vamos cair na expropriação pela expropriação”, afirmou.
Lugo garantiu que o processo de reforma inclui inicialmente um cadastro de todas as propriedades rurais, para que se saiba quem tem terras no Paraguai e quais são produtivas ou não.
Ele disse também que pretende fazer o possível para que os chamados brasiguaios possam regularizar as suas terras. De acordo com Lugo, “nem sempre o governo paraguaio foi solidário com eles”. Agora, ele quer fazer um governo que dê segurança jurídica para os brasileiros que foram para o Paraguai nas décadas de 1960 e 70 e que já são paraguaios, que apostaram no país.
“Vemos com muito bons olhos a migração que venha a apostar no país e respeitar as leis”, disse.
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