O candidato à Presidência do Paraguai pela União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), o ex-general Lino Oviedo, afirmou hoje (18), durante entrevista coletiva à imprensa estrangeira, que “os candidatos que não têm programa de governo ou política de Estado procuram mexer em alguns assuntos para obter vantagens”.
Em uma referência direta a Fernando Lugo, primeiro colocado nas últimas pesquisas divulgadas pela imprensa local, Oviedo disse que o adversário “utiliza Itaipu para ganhar votos”. “Para mim o tratado está bom e o que eu posso fazer é me beneficiar dele.” Isso, segundo ele, será possível industrializando o país e fazendo com que o Paraguai “consuma o que o paraguaio produz”.
Questionado sobre as críticas que recebeu pela proximidade com o Brasil, o ex-general afirmou que mantém boas relações não só com o Brasil, mas também com a Argentina, pátria da sua esposa, em especial por conta do período em que viveu nos dois países em conseqüência da perseguição política que sofreu no Paraguai.
No entanto, assegurou que isso não significa que vá governar de acordo com os interesses dos dois países vizinhos. “Lino Oviedo não tem compromisso com ninguém em particular”, garantiu. E completou: “Eu sou o mais interessado e se mantenho boas relações o mais beneficiado serei eu”.
Em relação as suas propostas de governo, Oviedo ressaltou que pretende fazer uma reforma constitucional no Paraguai por dois motivos. O primeiro é “para que o povo possa votar e eleger, porque hoje o povo só vota, não elege”, disse, em referência ao voto em listas de candidatos pré-definidos, tanto para deputados quanto para senadores.
O segundo motivo é garantir a independência dos Três Poderes no paraguaio. SegundoOviedo, Executivo, Legislativo e Judiciário ainda são dependentes entre si, o que aumenta a corrupção dos seus integrantes. Ele afirmou que o Judiciário é o mais afetado. “A nossa Justiça está corrupta e politizada”, disse. De acordo com o candidato, cerca de 70% dos funcionários e juízes são indicados politicamente.