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Brasília - O
Conselho Nacional de Saúde (CNS) deve, a partir de agora, se
envolver ativamente na aprovação de pesquisas com
células-tronco embrionárias no Brasil. A promessa é
do presidente do órgão, Francisco Batista. Ele garante
que além de enviar um documento de apoio às pesquisas feito pelo conselho para o Supremo
Tribunal Federal (STF) e para o Congresso Nacional já na próxima
semana, o mesmo texto deverá ser enviado aos conselhos
estaduais e municipais de saúde "para que esses órgãos possam se inserir na discussão".
“A
idéia é não somente enviar nossa resolução
ao STF mas assumir o papel de protagonista nesse debate. Estávamos
sendo muito cobrados pelo fato de essa discussão estar
acontecendo sem que o conselho se manifestasse”, disse hoje (18),
em entrevista à Agência Brasil.
Depois de reunião que se prolongou por mais de quatro horas, o CNS
decidiu ontem (17) apoiar a continuidade de pesquisas com
células-tronco embrionárias no país. De um total
de 42 conselheiros presentes, apenas dois – entre eles, a
representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), Zilda Arns – se manifestaram contra a decisão. Houve
ainda uma abstenção, por parte do representante do
Conselho Nacional dos Aposentados, Geraldo Adão.
Batista
explica que, mesmo considerando questionamentos “contundentes”
sobre a utilização de células-tronco
embrionárias, a ciência deve estar à serviço
do interesse do ser humano e da perspectiva da melhoria da qualidade
de vida das pessoas.
Ele
destaca ainda que a discussão sobre o tema permanece emperrada
no STF em função da “prevalência de interesses
legítimos muito mais religiosos e filosóficos do que
propriamente técnicos e científicos”.
“O STF
tem, nesse momento, todas as condições para aprovar uma
posição absolutamente sintonizada com o quesito
jurídico-legal do privilégio e da priorização
da pesquisa enquanto instrumento fundamental na perspectiva de
garantir a melhoria da qualidade de vida e garantir cada vez mais o
avanço da ciência.”
No dia 5
de março, os ministros do STF começaram a julgar a Ação
Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pelo
subprocurador-geral da República, Cláudio Fontelles,
contra o artigo da Lei de Biossegurança – que regulamenta a
pesquisa com células-tronco de embriões congelados há
mais de três anos.
No mesmo
dia, a votação foi suspensa após o pedido de
vista feito pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito. O ministro
Carlos Ayres Britto, acompanhado da ministra-presidente do STF, Ellen
Gracie, já havia julgado a Adin improcedente e votou pela
continuidade das pesquisas com células tronco-embrionárias.
Menezes
Direito argumentou que a matéria é controversa, de
alta complexidade, e que é preciso haver mais reflexão
sobre o tema.
“No
momento em que a Adin voltar à pauta, vamos estar
presentes e fazer todo o processo de convencimento e mobilização
da perspectiva de contribuir para que o desfecho seja de acordo com
os interesses aprovados no CNS”, garante Batista.
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