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Brasília - O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a rebater hoje
(21) as críticas de que a
produção de biocombustíveis reduz a área
plantada de alimentos e causa alta nos preços dos produtos.
Ele afirmou que não vai
aceitar “meia-conversa” sobre o assunto. "Nós
não aceitamos que haja meia conversa sobre a questão do
aumento dos alimentos”, disse hoje em seu programa de rádio,
Café com o Presidente.
“A polêmica
vai acontecer porque o Brasil não é mais coadjuvante.
Ou seja, o Brasil é o maior exportador de café, o maior
exportador de soja, o maior exportador de suco de laranja, o maior
exportador de açúcar, o maior exportador de carne e
agora o Brasil é um dos maiores exportadores de minério
e agora o Brasil está exportando etanol”.
"Temos
o prazer e o orgulho de, há 30 anos, termos a tecnologia de um
combustível renovável, gerador de empregos,
seqüestrador de carbono e, muito mais importante, limpo”,
completou.
Lula participa na África de vários eventos,
entre eles inauguração da sede da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Gana, o que vai permitir,
segundo o presidente, que se produza o mesmo efeito na agricultura
no continente africano que se produz no Brasil”. “Todo
mundo sabe que a Embrapa fez a revolução na agricultura
brasileira e nós estamos convencidos que a Embrapa pode ajudar
vários países africanos a deixarem de ser tão
pobres, a terem uma agricultura competitiva”, comentou.
No
programa, Lula também destacou a sua participação
na Conferência
das Nações Unidas para o Comércio e o
Desenvolvimento (Unctad),
onde falou, entre outros assuntos, sobre a necessidade de aumentar a
produção de alimentos “e não ficar culpando os
biocombustíveis pelo encarecimento do alimento”, disse. “O
dado concreto é que nós temos 854 milhões de
homens e mulheres e crianças que dormem com fome todo santo
dia”, afirmou.
“É importante que a gente utilize as terras
agricultáveis, as terras disponíveis, para que a gente
produza muito mais alimento”, completou. No
evento, Lula também tratou da Rodada
de Doha, acordo da Organização Mundial do Comércio
para que os subsídios agrícolas dos países
desenvolvidos sejam reduzidos, o que dará condições
para que os países pobres aumentem suas exportações
em possam competir mais igualitariamente.
“Do jeito que está
hoje, com o forte subsídio dos Estados Unidos e da União
Européia aos seus agricultores, obviamente que fica difícil
os países pobres vender algum alimento”.Lula
retorna hoje ao Brasil. Antes, participará de painél da
Unctad, de encontro com o secretário-geral
das Nações Unidas, Ban Ki-moon e de reunião com
o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio,
Pascal Lamy.
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