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21 de Abril de 2008 - 11h09 -
Última modificação
em 21 de Abril de 2008 - 11h09
Combate à corrupção e crescimento sustentável desafiam Lugo, diz economista
Ana Luiza Zenker
Enviada Especial
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Antonio Cruz/ABr
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Assunção (Paraguai) - O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, dá entrevista coletiva logo depois da divulgação do resultado
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Assunção (Paraguai) - Diminuir a corrupção no aparelho estatal, melhorar a cobertura dos serviços básicos
oferecidos pelo Estado, promover uma política agrária
que valorize os pequenos e médios produtores e dar
sustentabilidade ao crescimento da economia.
Na opinião do
economista e pesquisador do Centro de Análise e Difusão
da Economia Paraguaia (Cadep), Fernando Masi, esses são os
desafios não só do governo eleito ontem (20) no
Paraguai, mas das próximas administrações do
país.
Ele explica que hoje a
economia paraguaia é basicamente agrícola e comercial e
se apóia na exportação de commodities
agrícolas, na
reexportação de produtos eletrônicos e de
informática e na venda de energia elétrica.
De
acordo com Masi, a exportação de commodities
agrícolas, como a soja e a carne, geram cerca de
US$ 3,4 bilhões por ano.
Outro importante setor da
economia paraguaia é o de reexportação de
eletrônicos, informática e outros produtos de luxo, “que
tem tanto valor quanto a exportação total do Paraguai”.
Nesse caso, o principal destino é o Brasil e Cidade do Leste,
na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná, representa
de 10% a 15% desse comércio.
“Esse comércio
tem outras formas de entrar no Brasil, além da Ponte da
Amizade”, afirma o economista, em referência ao transporte
direto até o Porto de Paranaguá, no Paraná, e
ao aéreo, em pequenos aviões.
A venda de
energia elétrica das usinas de Itaipu e Yaciretá, assinala Masi, também é essencial para a economia paraguaia. “Se
o Estado deixa de receber os ingressos das hidrelétricas,
deixa de ganhar de 20 a 25% dos seus ingressos totais”, diz. Além
disso, o superávit de 1% nas contas públicas se
tornaria um déficit de 2,8%.
“Esses tripé
pode garantir um crescimento seja sustentável? A
resposta é não”, afirma. Isso porque nos três setores o Paraguai depende de alguns fatores, seja do preço das
commodities e do clima, seja da demanda do comércio brasileiro
ou mesmo da capacidade que o Brasil tem de comprar energia.
Como saída para
dar sustentabilidade ao crescimento da economia, que em 2007 foi de
6%, com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 11,798 bilhões,
Masi diz que é necessário industrializar o país,
especialmente por meio da agroindústria, com
investimentos do Estado. Outras possibilidades de indústrias
são as eletrointensivas, como às destinadas à
produção de comportas para usinas hidrelétricas,
desenvolvidas no país depois da construção de
Itaipu.
Além disso, Masi
defende uma política agrária diferente, que valorize os
pequenos e médios produtores e dê possibilidades para
que eles sejam competitivos no mercado. Isso evitaria a expulsão
de pessoas que vivem no campo, que hoje são 43% da população,
para as cidades, onde não encontram emprego.
Não menos
importante para o próximo presidente, avalia Masi, são
os desafios de combater a corrupção e melhorar a
cobertura de serviços públicos básicos, como
saúde, educação e acesso à água
potável e a estradas asfaltadas, num país cuja carga
tributária está em 12%.
“Se alguém vê
esses indicadores, pode se assustar. Se comparar com um país
pequeno como o Uruguai, é um abismo”, afirma o economista.
Como exemplo, lembra que cerca de 40% da população não
tem água potável e somente 11% das estradas são
asfaltadas.
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