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Brasília - A elevação dos
valores pagos pelo Brasil na compra de energia da Usina Hidrelétrica
de Itaipu não é a única aspiração
econômica do governo do presidente eleito do Paraguai, Fernando
Lugo, afirma o professor de relações internacionais da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
(PUC-MG), Osvaldo Dehon. Em entrevista hoje (22) à Rádio
Nacional, ele enumerou algumas das metas anunciadas pelo novo governo do país
vizinho.
“Vincular todo o tipo de mudança
econômica apenas com a alteração no que diz
respeito ao contrato com o Brasil seria realmente uma marola
político-eleitoral, o que não é condizente com
novos ventos que trazem o governo Lugo.”
Fernando Lugo não foi o
único a defender em campanha o reajuste dos valores pagos pelo
Brasil, lembra o professor. Outros candidatos insistiram na
importância da revisão do tratado.
“Obviamente, [o assunto] tem
certo apelo eleitoral. Isso não apenas foi apresentado na
campanha por Lugo, mas também por todos os seus concorrentes.
Não é apenas alguma coisa que tenha aparecido neste
momento. Na outra campanha, isso também apareceu.”
A despeito das intenções
paraguaias, o presidente Luiz Inácio Lula Silva afirmou
que não vai rever o tratado de Itaipu. O ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, entretanto, disse que um eventual reajuste
nas tarifas pagas pelo país não está descartado.
Para Dehon, o governo
brasileiro terá de estar aberto ao diálogo. O professor
lembra que a economia do Paraguai é pequena e deve
estabelecer outras prioridades. O combate à corrupção,
segundo ele, tem sido anunciado como centro das metas.
“Há uma série de
tentativas neste momento. Há uma comissão constituída
pelo presidente eleito no intuito de poder conduzir a transição
e existe uma série de pontos prioritários. Em primeiro
lugar, o presidente quer acabar com a corrupção e fazer
com que não haja uma sangria dos recursos públicos.”
O professor também destaca
a previsão de investimentos para impulsionar as exportações agrícolas. Ele afirma que os paraguaios estão atentos à
expansão brasileira no setor. Planos para diversificar o
comércio e a indústria também foram apontados
como elementos para desenvolver a economia do país vizinho.
Finalizadas no último domingo, as eleições do Paraguai foram realizadas em turno único. A vitória de Fernando Lugo, da Aliança Patriótica para a Mudança, interrompeu uma série de mais de 60 anos de governos da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado. Segundo as autoridades eleitorais do país, 65% dos quase 3 milhões de eleitores compareceram aos locais de votação.
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