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São Paulo - Movimentos sociais ligados a grupos de sem-teto
realizaram hoje (22) cinco manifestações no país:
quatro no estado de São Paulo Paulo e uma no Espírito
Santo. Os manifestantes reivindicam dos governos federal, estaduais e
municipais uma política habitacional que atenda às
famílias de mais baixa renda e destine recursos para mutirões,
urbanização de favelas, regularização
fundiária e moradia em áreas centrais.
Das quatro ocupações realizadas em
São Paulo, três foram lideradas pela União
Nacional por Moradia Popular (UNMP): uma no prédio do
Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) na Rua Coronel Xavier de
Toledo, no centro da capital paulista; outra em um terreno particular
desocupado na Avenida do Cursino, na zona sul paulista; e uma
terceira no prédio do INSS na cidade de Sertãozinho,
que estaria desocupado há 30 anos.
A UNMP também coordenou a ocupação,
feita por cerca de 200 pessoas, em um prédio do INSS em
Vitória (ES).
“As políticas de habitação
são insuficientes para enfrentar o déficit do país”,
disse Evaniza Rodrigues, integrante da Secretaria Executiva da UNMP.
Segundo ela, dados do Censo de 2005 revelam que o déficit
habitacional no Brasil é de cerca de 7,9 milhões de
famílias - mais de 1 milhão delas no estado de São
Paulo.
Evaniza informou à Agência Brasil
que a UNMP reivindica prédios desocupados do INSS e terrenos
recebidos pelo instituto como pagamento de dívidas.
De acordo com Veronica Kroll, coordenadora do
Fórum dos Cortiços, filiado à UNMP e responsável
pela ocupação de cerca de 150 pessoas no prédio
do INSS, no centro de São Paulo, a manifestação
teve duas intenções: resolver o problema de um prédio
do INSS na Avenida Nove de Julho e de um prédio da Caixa
localizado na Praça Roosevelt, que estaria fechado há
20 anos.
“Ficamos sabendo que tem uma ação
cível no Ministério Público pedindo que o INSS
transforme essas propriedades da Avenida Nove de Julho em moradia
social”, disse Veronica, depois de participar de uma reunião
com representantes do INSS. Segundo ela, há dificuldade na
Caixa, que não se pronunciou sobre o prédio da Praça
Roosevelt.
Apesar da falta de entendimento com a Caixa, o
prédio do INSS no centro da capital foi desocupado
pacificamente por volta das 16h.
A quarta manifestação em São
Paulo ocorreu na sede da Caixa, no centro da capital, e foi liderada
pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Segundo nota do
MTST, a ocupação, contou com a participação
de 500 pessoas e começou às 11h.
O MTST pede uma política de desapropriação
de terrenos urbanos ociosos e verbas do Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC) para uma política de habitação
que priorize as famílias de baixa renda.
“A intenção era que a Caixa se
envolvesse no problema das ocupações em São
Paulo e garantisse a compra de terrenos e financiamentos para
construção de casas”, disse Guilherme Castro, um dos
líderes do movimento.
Castro disse que houve confronto com policiais
militares durante a desocupação. Segundo o integrante
do MTST, os PMs teriam usado cassetetes e gás de pimenta para
retirar os manifestantes do prédio da Caixa. Ainda de acordo
com ele, o confronto resultou em dez pessoas feridas - entre elas,
uma grávida de nove meses.
A Caixa e a assessoria da Polícia Militar
negaram o confronto e garantiram os cerca de 150 manifestantes
desocuparam o local pacificamente.
O MTST e a Caixa acertaram a realização
de reunião, ainda nesta semana, para discutir as
reivindicações. Além dos líderes do
movimento, devem participar do encontro representantes de três
superintendências da Caixa (Santo Amaro, Campinas e Grande
ABC), das prefeituras locais e possivelmente do Ministério das
Cidades e do governo de São Paulo.
De acordo com Guilherme Castro, caso a reunião
não ocorra até o final desta semana, novas ocupações
terão início na semana que vem.
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