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22 de Abril de 2008 - 13h19 - Última modificação em 22 de Abril de 2008 - 13h19


Sociólogo diz que não se pode prever com segurança conseqüências políticas da eleição de Lugo

Ana Luiza Zenker
Enviada especial

 
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Antônio Cruz/ABr
Assunção (Paraguai) - O cientista político Domingos Rivarola dá  entrevista
Assunção (Paraguai) - O cientista político Domingos Rivarola dá entrevista
Assunção (Paraguai) - Uma recomposição do cenário político cujas conseqüências ainda não podem ser previstas com segurança é o que espera o sociólogo Domingo Rivarola no primeiro momento depois da eleição do ex-bispo Fernando Lugo para a Presidência do Paraguai.

Rivarola também é cientista político do Centro Paraguaio de Estudos Sociológicos e diretor das Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Paraguai).

Pela primeira vez na história do país o poder vai passar de um partido para outro sem um golpe de Estado. Além disso, Rivarola destaca que foi a eleição com menos incidentes e maior participação popular desde a queda da ditadura do general Alfredo Strossner, em 1989. De acordo com os dados da contagem prévia dos votos, mais de 65% da população foram às urnas.

“O resultado dessas eleições marca um processo evidentemente de recomposição do perfil da população votante do país”, afirmou o cientista em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC). De acordo com o especialista dois processos sócio-políticos estão em andamento agora.

Um é a crise interna da Aliança Nacional República, Partido Colorado, que vai deixar o poder depois de 61 anos. As denúncias de fraudes nas eleições internas que definiram a candidata do partido, Blanca Ovelar, indicada e apoiada pelo presidente Nicanor Duarte, racharam a liderança partidária.

Segundo Rivarola, o grande problema neste momento “é reconstruir uma unidade de partido, o que não é fácil pela dureza da confrontação interna, que se agravou mais nestas eleições”. Ainda assim, Rivarola afirma que o partido continuará poderoso no cenário político paraguaio, especialmente no Congresso, caso haja uma aliança com a União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), do ex-general Lino Oviedo, terceiro colocado nas eleições presidenciais.

O outro processo que se inicia com a eleição, segundo o professor, se dá dentro da própria Aliança Patriótica para Mudança (APC, na sigla em espanhol), que elegeu Lugo. De acordo com Rivarola, a APC é formada basicamente por três forças políticas.

A primeira e mais tradicional é o Partido Liberal Radical Autêntico, opositor histórico do Partido Colorado, com bases populares de classe média, um quadro efetivo com experiência política e orientação de centro-direita.

A segunda base é formada pelos partidos e movimentos de esquerda “que são fragmentos muito pequenos, muito ativos, de presença na vida pública, mas que não têm poder político na estrutura parlamentar”.

A terceira força, que surge depois da eleição é a Unace, uma dissidência do Partido Colorado surgida em 1993, que está bem compactada e é uma força que “tratará de jogar com alianças oportunistas ou respondendo a uma estratégia de longo prazo”.

Com essa fragmentação, Rivarola explica que a principal, dúvida é sobre como a APC vai conseguir manter uma unidade de consenso para cumprir as promessas de campanha e chegar a políticas concretas nas quais se tem “uma gama que vai desde desapropriar terras a propostas muito mais conservadoras de uma social-democracia”.


 


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