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22 de Abril de 2008 - 15h29 - Última modificação em 22 de Abril de 2008 - 15h29


Lugo deve implementar governo de centro-esquerda, avalia especialista

Hugo Costa
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A eleição do ex-bispo Fernando Lugo para a Presidência do Paraguai deve marcar a implementação de um governo de centro-esquerda no país sul-americano, avalia o professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Osvaldo Dehon.

“Há de se imaginar que o bispo vai implantar uma política de centro-esquerda em consonância e coalizão com vários governos da América do Sul”, afirmou hoje (22) em entrevista à Rádio Nacional. “Dificilmente, tendo em vista as ligações do bispo com toda a corrente da Igreja Católica que clama por justiça na América do Sul, o governo dele poderia ser caracterizado como de direita ou de centro-direita”, complementou.

Fernando Lugo e seu partido, a Aliança Patriótica para a Mudança, chegam ao poder depois de mais de 60 anos de hegemonia da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado. A alternância de poder, opina o professor, representa a renovação no “pesado” quadro político paraguaio.

“Significa muito [a eleição de Lugo] porque são ventos de mudança em consonância com uma série de governos novos que se articulam hoje na América do Sul. A herança do Partido Colorado é muito pesada e o regime político no Paraguai tem uma série de problemas. A mudança política com a eleição do bispo Lugo traz ventos de renovação.”

Apesar da expectativa de mudanças, Dehon ressaltou que a campanha de Lugo apresentou problemas nas articulações e que faltou clareza nas propostas apresentadas para as políticas interna e externa.

Nas relações internacionais, o professor destaca que alguns setores da elite paraguaia classificam o Brasil como vizinho “imperialista”. Uma das razões para tal concepção, segundo ele, está relacionada ao acordo sobre a utilização da energia gerada na Usina Hidrelétrica de Itaipu. O reajuste da energia vendida pelo complexo binacional ao Brasil foi bandeira comum aos candidatos à Presidência no Paraguai.



 


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