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Brasília - A eleição do
ex-bispo Fernando Lugo para a Presidência do Paraguai deve
marcar a implementação de um governo de centro-esquerda
no país sul-americano, avalia o professor de relações
internacionais da Pontifícia Universidade Católica de
Minas Gerais (PUC-MG), Osvaldo Dehon.
“Há de se imaginar que o
bispo vai implantar uma política de centro-esquerda em
consonância e coalizão com vários governos da
América do Sul”, afirmou hoje (22) em entrevista à
Rádio Nacional. “Dificilmente, tendo em vista as
ligações do bispo com toda a corrente da Igreja
Católica que clama por justiça na América do
Sul, o governo dele poderia ser caracterizado como de direita ou de
centro-direita”, complementou.
Fernando
Lugo e seu partido, a Aliança Patriótica para a
Mudança, chegam ao poder depois de mais de 60 anos de
hegemonia da Associação Nacional
Republicana (ANR), o Partido Colorado. A alternância de poder,
opina o professor, representa a renovação no “pesado”
quadro político paraguaio.
“Significa muito [a eleição
de Lugo] porque são ventos de mudança em
consonância com uma série de governos novos que se
articulam hoje na América do Sul. A herança do Partido
Colorado é muito pesada e o regime político no Paraguai
tem uma série de problemas. A mudança política
com a eleição do bispo Lugo traz ventos de renovação.”
Apesar da expectativa de mudanças,
Dehon ressaltou que a campanha de Lugo apresentou problemas nas
articulações e que faltou clareza nas propostas apresentadas para as
políticas interna e externa.
Nas relações
internacionais, o professor destaca que alguns setores da elite
paraguaia classificam o Brasil como vizinho “imperialista”. Uma
das razões para tal concepção, segundo ele, está
relacionada ao acordo sobre a utilização da energia
gerada na Usina Hidrelétrica de Itaipu. O reajuste da energia
vendida pelo complexo binacional ao Brasil foi bandeira comum aos candidatos à
Presidência no Paraguai.
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