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22 de Abril de 2008 - 15h44 -
Última modificação
em 22 de Abril de 2008 - 15h44
População quer mudanças e novo governo deve construir consenso, diz sociólogo
Ana Luiza Zenker
Enviada especial
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Antônio Cruz/ABr
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Assunção (Paraguai) - O cientista político Domingos Rivarola dá entrevista
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Assunção (Paraguai) - Uma população que está ansiosa por mudanças e pode não compreender, caso as promessas de Fernando Lugo não mostrem resultados práticos em curto prazo – assim o sociólogo Domingo Rivarola desenha a sociedade paraguaia neste momento pós-eleição presidencial.
Cientista político do Centro Paraguaio de Estudos Sociológicos e diretor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso, Paraguai), ele explica que a Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol) é uma organização muito fragmentada e poderá ter dificuldades na construção de um consenso, necessário para corresponder às expectativas de mudança que a campanha eleitoral criou na população do país.
“A sociedade está fechada à idéia de essas mudanças ocorrerão, as pessoas votaram com a esperança de mudança”, diz Rivarola. “Passada a vitória, os abraços, as pessoas comuns vão pensar como seus bolsos continuam mal ou pior, se seu filhos continuam desempregados, pois prometeram emprego; se os parentes continuam migrando, pois prometeram frear a migração; se continua havendo pobreza – o dinheiro já não alcança mais, já que prometeram acabar com a pobreza”, acrescenta.
Na população em geral, afirma Rivarola, não há a consciência de como é grande o desafio de mudar o Paraguai, no sentido de minimizar os problemas sociais, dar melhores serviços públicos de saúde e educação, proporcionar segurança pública e seguridade social. “Não há uma análise real de política, há análise de promessas feitas, identificação de problemas, mas não precisamente como vai ser resolvido cada problema”, diz.
De acordo com o sociólogo, a sensação positiva de mudanças que ficou na população depois da campanha pode se transformar em decepção, caso haja uma ruptura no governo que assume em agosto – grande o suficiente para inviabilizar o cumprimento das principais promessas, de melhorar a vida do povo.
Caso isso aconteça, Rivarola prevê problemas como conflitos sociais, recorrentes na história do Paraguai: “Este é o maior desafio, pode haver problemas e não tão distantes.”
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