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Brasília - O ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, disse hoje (23) que existe boa vontade do
Brasil em conversar com o Paraguai sobre a energia de Itaipu, mas com
“realismo”.
“O que há é
boa vontade, sentido de Justiça, e deve haver também
realismo. Vamos ter que combinar essas várias coisas”,
afirmou Amorim, sem adiantar que tipo de proposta o Brasil pode
apresentar aos paraguaios. “Vamos ajudar no que pudermos ajudar”,
completou.
Ao ser questionado
sobre as reivindicações do presidente eleito Fernando
Lugo, Amorim respondeu que nem sempre as pessoas conseguem o que
querem. Lugo defende que o Brasil pague mais pela energia que compra
dos paraguaios e a revisão do Tratado de Itaipu.
“A vida é
assim, às vezes as pessoas querem o que os outros não
podem oferecer. A gente se encontra em algum lugar que seja razoável
para os dois. Precisamos de uma região de paz, de
desenvolvimento, que haja bom entendimento”, disse, antes de
participar da cerimônia em comemoração aos 35
anos da Embrapa, no Palácio do Planalto.
Indagado se a tarifa
paga pelo Brasil ao Paraguai é justa, o ministro respondeu que
não tinha resposta para essa pergunta. Em entrevista ontem
(22), o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ser
justa a tarifa paga pelo Brasil
O ministro Celso Amorim
negou que tenha admitido uma possível revisão do
tratado ou o aumento do valor pago pelo Brasil ao Paraguai.
“Nunca disse, ao
contrário do que os jornais disseram, que o tratado poderia
ser revisto, nem sequer, que eu me lembre, usei a palavra tarifa. Eu
usei a palavra preço num sentido muito lato, compensação
financeira por um serviço recebido”, afirmou.
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