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Brasília - Se os novos dados sobre contaminação
de alimentos por agrotóxicos, divulgados hoje (23) pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária preocupam os consumidores, o perigo é ainda maior para
quem trabalha nas lavouras. O risco de toxicidade para os
trabalhadores rurais é apontado no relatório do Programa Nacional de Análise de
Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) e reconhecido pela Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag).
“O produtor é quem se contamina
primeiro”, afirma o secretário de assalariados da Contag, Antônio Lucas. Segundo ele é grande freqüência de casos de contaminação por agrotóxicos
recebidos em sindicatos e associações de trabalhadores de todo o país. “E não é
só no caso de hortaliças. A gente encontra na cana-de-açúcar e em outras
lavouras, principalmente durante o plantio e na preparação para a colheita”,
acrescenta.
De acordo com o relatório da
Anvisa, o uso de práticas agrícolas incorretas e o desrespeito à legislação são
os principais agravantes para a saúde do trabalhador. “Os trabalhadores
com menos recursos financeiros e menor nível de instrução geralmente utilizam
equipamentos de aplicação manual, pouco ou nenhum tipo de Equipamento de
Proteção Individual (EPI), ficando mais expostos às intoxicações agudas e
crônicas por eles causados”, mostra o documento.
O representante da Contag
argumenta que a responsabilidade da proteção da saúde do agricultor cabe ao
patrão, mas reconhece que nem sempre as convenções trabalhistas chegam às
lavouras. “A lei obriga o treinamento, os Equipamentos de Proteção Individual e
a realização de exames médicos periódicos. Têm previsão legal e multa para quem
não cumprir, mas a gente sabe que a realidade do Brasil é complicada”
No caso de tomate, alface e
morango, produtos que apresentaram os maiores índices de contaminação em
2007, Lucas reconhece que uma parte
significativa da produção vem de pequenas propriedades. Nesses casos, a
estratégia da Contag é orientar os produtores para a adoção de novas técnicas
agrícolas, como a utilização de defensivos alternativos e a produção orgânica.
“Mas isso é complicado pelo
seguinte: você faz uma campanha e diz que isso [o agrotóxico] é proibido e que não se pode usar esses produtos. A
pergunta é sempre a seguinte: o que nós devemos usar no lugar do veneno?”,
relata Lucas, ao questionar a falta de incentivos e políticas públicas para
orientar e facilitar o acesso do pequeno produtor a técnicas alternativas aos
agrotóxicos químicos.
O coordenador do Departamento de
Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário,
Francisco Caporal, admite “algumas carências em alguns cultivos, no sentido da
substituição de insumos tradicionais, agrotóxicos, por outros tipos de
controle”, mas argumenta que já existem experiências de produção orgânica em
quase todos os cultivos
“Estamos capacitando técnicos e
produtores para que possam fazer uma transição de sistemas tradicionais para
agricultura de base ecológica e as experiências se multiplicam no Brasil
inteiro”, afirma Caporal.
Além da atuação mais presente das
equipes de assistência técnica e da liderança dos agricultores, Caporal
defende a informação como uma das ferramentas para evitar prejuízos à saúde com os resíduos de agrotóxicos.
“Precisamos de um trabalho de
conscientização de agricultores sobre os efeitos nocivos dos pesticidas
agrícolas. E também esclarecer os consumidores da necessidade de escolher
produtos com menor possibilidade de contaminação e isso já é possível nas
feiras, nas Ceasas, supermercados”.
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