|
Brasília - A proposta do senador
Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, de
excluir algumas áreas da demarcação da Terra
Indígena Raposa Serra do Sol, a fim de permitir a permanência
de não-índios e a construção de uma
hidrelétrica, é uma posição individual e
não encontra ressonância no governo federal. A afirmação
foi feita hoje à Agência Brasil pelo coordenador
executivo do comitê gestor do governo federal em Roraima, José
Nagib Lima.
“O senador fala por
ele, enquanto cidadão de Roraima, mas não procurou em
nenhum momento as instâncias administrativas do governo com
essa proposta. Nunca conversei com ele sobre isso”, afirmou Nagib
Lima.
Segundo o
representante do governo, a discussão sobre a exclusão
de áreas da demarcação contínua da
reserva já foi travada anteriormente ao decreto de
homologação.
Ele prevê problemas caso uma
proposta neste sentido seja acatada e determinada por ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF), responsáveis pelo julgamento de
ações pendentes contra a homologação.
“Se for aceita [a
proposta no Supremo], teria que voltar [para a Raposa Serra do Sol]
todo o pessoal que já foi reassentado e recebeu indenização”,
argumentou Nagib Lima. A proposta de Romero
Jucá é
manter a reserva contínua e já demarcada, excluindo
quatro áreas: o Vale do Arroz, onde estão os
produtores; as terras destinadas à construção da
Hidrelétrica de Cotingo; a área da Vila Surumu, onde
foi montada uma base de resistência por moradores quando a
Operação Upatakon 3 estava em curso; e a infra-estrutura turística existente no Lago do Caracaranã.
|