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23 de Abril de 2008 - 19h17 -
Última modificação
em 23 de Abril de 2008 - 19h18
No Dia Mundial do Livro, paradas de ônibus recebem 800 obras da Unesco
Morillo Carvalho
Repórter da Agência Brasil
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Marcello Casal Jr/ABr
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Brasília - João da Silva participa do projeto Parada Cultural, que oferece empréstimo de livros nas paradas de ônibus da cidade
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Brasília - Os livros já são marca registrada de 30 paradas de ônibus da avenida W3 Norte, em Brasília. Há um ano, a organização não-governamental (ONG) T-Bone instalou estantes que funcionam como bibliotecas populares nas paradas de ônibus. Hoje (23), Dia Mundial do Livro, elas ganham mais volume e substância: a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) doou 800 publicações para o projeto.
Quem gostou da idéia foi João da Silva, 30 anos. Morador do Jardim Ingá, no município goiano de Luziânia (45 quilômetros de Brasília e 180 quilômetros de Goiânia), ele está desempregado, mas faz curso para se tornar vigilante na Asa Norte. Na parada da quadra 712/13 Norte, ele pega ônibus diariamente para voltar para casa e nos cerca de 30 minutos de espera, aproveita para ler.
“Nós, brasileiros, não temos o hábito de ler livros. Mas aqui na parada, sempre tem um tempinho que sobra para podermos 'curiar'. E é tão interessante, hoje mesmo encontrei um livro de português da 6ª série, que estou lendo e revisando. Quanto mais livros estiverem por aqui, melhor”, opina.
A promotora de vendas Márcia Barbosa, 29 anos, também comemora. O local em que ela trabalha fica na avenida e ela usa a parada da quadra 514 Norte todos os dias. Mais livros nas estantes, para ela, significam mais chances de passar no vestibular ou em algum concurso.
“Ontem encontrei um livro aqui na parada e levei para casa para estudar para o vestibular e para concursos públicos. Você fica esperando o ônibus e acaba querendo ler, porque eles [os livros] estão mais perto. Se estivessem na biblioteca, seria mais difícil”, conta. O projeto permite que os livros sejam levados para casa, de graça, e sem prazo fixo para devolução.
Para o fundador da ONG T-Bone, Luiz Amorim, o interesse da Unesco em fornecer tantas publicações vai ajudar a consolidar o projeto das Paradas Culturais. “É uma doação importantíssima porque prova a seriedade do projeto e a credibilidade que ele vêm conquistando junto à sociedade e aos organismos internacionais”, avalia.
Amorim conta que nem sempre foi assim. “Quando lançamos o projeto, a maioria das pessoas não acreditava, achava que ia ter vandalismo, ia tocar fogo e depredar, uma vez que o livro fica exposto 24 horas sem nenhum tipo de segurança. Mas a sociedade deu uma resposta muito positiva, as pessoas estão usando, devolvendo e até hoje não houve nada que desabonasse o projeto”, relata.
O conteúdo das publicações é diversificado e boa parte ainda não está disponível ao público porque voluntários estão trabalhando para catalogar os livros que irão para as bibliotecas populares que fazem parte do projeto. Para Amorim, a doação também representa a quebra do paradigma de que 'o brasileiro não gosta de ler', porque, se fosse assim, o projeto não daria certo e não haveria doação.
“O correto é dizer que o brasileiro não tem acesso fácil ao livro. Eles são caros, há poucas bibliotecas, elas são burocráticas, distantes, e há milhares de municípios sem. A partir do momento que se democratize mais o livro, as pessoas passam a ler mais. Tanto que emprestamos mais de mil livros por dia, basta que o cidadão se sinta estimulado”, sintetiza.
Além da doação, Amorim também comemora o interesse da Embaixada da Espanha pelas paradas. “Vamos receber, agora, uma visita de consultoras da embaixada para melhorar e aprimorar esse projeto”. Amanhã (24), a ONG, que funciona na quadra comercial da 312 Norte, comemora os 10 anos de outro projeto, o Noites Culturais. No evento, sarau, recital de poesias e mais literatura.
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