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Brasília - O presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, destacou hoje (23), que o tribunal
ainda tem decisões a serem tomadas sobre temas relevantes como
aborto, pesquisas com células-tronco, a homologação
e a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do
Sol (em Roraima) e a prisão civil do depositário
infiel.
Ao tomar posse, Gilmar Mendes disse que não
existe a “judicialização da política, quando
as questões políticas estão configuradas como
verdadeiras questões de direitos”.
Ele ressaltou que não
cabe ao STF “substituir o legislador e muito menos restringir o
exercício da atividade política, de essencial
importância ao Estado Constitucional. Democracia se faz com
política e mediante a atuação de políticos”,
afirmou.
Gilmar Mendes disse que é
preciso vencer a morosidade que ainda é atribuída à
Justiça, apesar da reformulação dos quadros e da
melhoria da infra-estrutura de trabalho do Judiciário.
Sempre tendo a Constituição
de 1988 como parâmetro para seu discurso, o novo presidente do
STF destacou a inclusão das organizações sociais
na Carta como forma de fortalecer a democracia e a própria
sociedade.
“Não há dúvida
de que, a partir de 1988, a sociedade brasileira saiu fortalecida.
Convive-se hoje com uma multiplicação de movimentos
sociais voltados à defesa de diversos interesses, como o da
igualdade racial, o do meio ambiente, o da reforma agrária, os
interesses dos indígenas, o do consumidor, entre outros”,
disse.
Para ele, a Constituição
ampliou o acesso de setores menos favorecidos ao Poder Judiciário.
“Há no país uma imensa demanda reprimida, que vem a
ser a procura daqueles cidadãos que têm consciência
de seus direitos, mas que se sentem impotentes para os reivindicar,
porque intimidados, quer pela obsoleta burocracia judicial ou pelo
hermetismo dos ritos processuais e da linguagem jurídica”.
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