Tremores de terra de
maior intensidade do que o registrado
ontem (22) na costa brasileira podem voltar a ocorrer no país,
avalia o chefe do Observatório Sismológico da
Universidade de Brasília (UnB), Lucas Barros. O especialista,
no entanto, afirma que o abalo sísmico tende a gerar fenômenos menos intensos.
“A grande pergunta
que se faz é: pode ter um terremoto maior? Sim. A gente não
pode descartar. O que se verifica via de regra é que o sismo
que acontece após um choque desse são os pós
abalos geralmente de magnitude de até um grau menor”, destaca.
O terremoto registrado
na noite de ontem atingiu 5,2 graus na escala Richter e foi sentido nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
O epicentro do sismo foi registrado no Oceano Atlântico a pouco
mais de 200 quilômetros das cidades de São Vicente e do
Guarujá, no litoral paulista.
“A natureza é
meio traiçoeira. O comportamento da sismicidade em um lugar
não é igual ao do outro. Então, pode ser que nós
venhamos a observar nessa área um comportamento diferenciado e
possa haver sismos de magnitude maior. Só que esses sismos são
pouco prováveis”, avalia Barros.
O especialista ressalta
a importância dos estudos sismológicos. Ele explica que
a ciência é responsável por detectar, localizar e
identificar os pontos onde pode haver tremor.
“Na Califórnia
se sabe que um grande terremoto está para acontecer. A
sismologia, que é muito avançada, já tem
conhecimento da sismicidade da área até porque existem
muitas estações, pesquisadores e investimentos. Ao
contrário do Brasil, onde existe uma cultura de que a terra não
treme. Entretanto, volta e meia somos surpreendidos por esses fatos.”