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Brasília - De cada dez pés de alface à venda
em supermercados, quatro estão contaminados por resíduos de
agrotóxicos. Cerca de 40% do tomate e do morango consumidos pelos
brasileiros contêm vestígios irregulares de defensivos. Os dados são do relatório do Programa Nacional de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em
Alimentos (Para), divulgado hoje (23) pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa).
Das 1.198 amostras analisadas
pela agência no ano passado, 207 apresentaram resultados insatisfatórios, ou seja,
mais de 17% do total de alimentos continha resíduos de agrotóxicos não
autorizados ou acima do limite máximo permitido.
Os casos mais preocupantes são as
culturas de morango (com 43,6% de contaminação), de tomate (com 44,7%) e de alface (com 40%).
“O aumento nos resíduos de
agrotóxicos encontrados em tomate, alface e morango em 2007 pode ser
correlacionável com o súbito acréscimo observado na importação de agrotóxicos
por países da América do Sul, incluindo o Brasil”, segundo o documento.
Na avaliação do pesquisador da
Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), Nozomu Makshima, o aumento da contaminação do
tomate, que cresceu 42% em relação a 2006, se deve ao “uso pouco criterioso” dos
agrotóxicos pelos produtores. “Eles aplicam [agrotóxicos] sem muito critério. Os resíduos
permanecem por causa da freqüência com que o produtor aplica, ele não obedece o
período de carência”, aponta.
De acordo com Makshima, o alto
índice de amostras de alface com resíduos de agrotóxicos merece atenção
redobrada por se tratar de uma cultura “muito sensível” ao uso de defensivos,
além do alimento ser consumido sem preparo, cru. “Normalmente o que a gente
nota no caso de folhosas é contaminação por microorganismos, não por resíduos
químicos”, pondera o pesquisador da Embrapa Hortaliças.
Outros seis alimentos que “estão regularmente na mesa do consumidor brasileiro”
também foram analisados em 2007 e registraram resíduos irregulares de
defensivos agrícolas: banana (4,3%), batata (1,36%), cenoura (9,9%), laranja
(6%), maça (2,9%) e mamão (17,2%). Foram usadas na análise amostras de 16 estados de
todas as regiões do país, além dos municípios de Belo Horizonte, Curitiba e São
Paulo.
Entre as substâncias encontradas
nos alimentos estão ingredientes ativos de diversos tipos de agrotóxicos,
como endossulfam, acefato e metamidofós, que, de acordo com a Anvisa, são
conhecidos pela neurotoxidade e riscos de desregulação endócrina e toxicidade
reprodutiva.
Uma portaria da agência de
fevereiro deste ano determinou a reavaliação toxicológica desses e de outras 11
ingredientes ativos, que pode, inclusive, resultar na proibição do uso dessas
substâncias nas lavouras brasileiras.
Em 2008, segundo a Anvisa, o Programa
Nacional de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos vai acrescentar
abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva à lista de
culturas agrícolas analisadas.
* A matéria foi alterada para exclusão da palavra "feira". De acordo com a Anvisa, a pesquisa só utiliza amostras recolhidas em supermercados.
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