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24 de Abril de 2008 - 17h32 - Última modificação em 24 de Abril de 2008 - 17h32


Resgate de títulos da dívida pública não indica dificuldade para Tesouro, diz coordenador

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O fato de o governo federal ter resgatado R$ 4,7 bilhões a mais em títulos da dívida interna do que emitiu em março decorreu de oscilações típicas da época do ano e não está relacionado a dificuldades do Tesouro Nacional em lançar títulos, com a crise nos Estados Unidos.

A explicação é do coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Guilherme Pedras, ao informar que o vencimento de R$ 22,6 bilhões em Letras Financeiras do Tesouro (LFT), título vinculado à Selic, foi o principal responsável pelo volume de resgate de papéis no último mês. Em março, o Tesouro resgatou R$ 36,9 bilhões e emitiu R$ 32,2 bilhões em títulos da dívida interna.

“Apesar da volatilidade no mercado, ainda existe demanda para os títulos brasileiros. Em março é normal o governo resgatar mais LFTs do que emite”, afirmou.

Este resgate, segundo Pedras, também contribuiu para que a participação da Selic na dívida interna caísse de 37,48% em fevereiro para 36,51% em março, apesar das expectativas do setor financeiro de que os juros básicos fossem reajustados pelo Banco Central – o que ocorreu na semana passada e deveria ter atraído o interesse por esses títulos.

No mês passado, o perfil da dívida pública registrou melhora. A participação dos títulos prefixados subiu de 35,69% para 36,26%. Estes papéis favorecem a administração da dívida porque permitem ao Tesouro saber exatamente quanto pagará ao resgatá-los.

A proporção dos títulos atrelados a índices de preços aumentou de 26,93% para 27,39%, enquanto o percentual dos papéis da dívida interna vinculados ao câmbio passou de -2,17% para -2,24%.

A participação negativa significa que o governo federal está na posição de credor, não de devedor, em relação aos papéis cambiais. Esse percentual é obtido após as operações de swap reverso – operação do Banco Central que aumenta a proporção da Selic na dívida interna e reduz a participação dos papéis atrelados ao câmbio.

O coordenador disse ainda que a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) dos estrangeiros que investem em renda fixa não afetou a demanda dos investidores externos pelos papéis brasileiros. “Ainda não temos os números de março, mas pelo que percebemos nos leilões de títulos, o IOF não teve impacto sobre o interesse dos estrangeiros”, declarou.

Na avaliação de Pedras, isso ocorre porque os estrangeiros que aplicam em títulos do governo brasileiro estão interessados no rendimento a longo prazo, o que, segundo ele, dilui os custos do IOF. “A cobrança do imposto foi pensada para desestimular principalmente os investimentos estrangeiros de curto prazo”, alegou.

Em março, o governo decidiu aplicar alíquota de 1,5% sobre os investimentos estrangeiros para diminuir a entrada de dólares no país e conter a queda na cotação da moeda norte-americana. De acordo com o Tesouro Nacional, a participação dos estrangeiros na dívida pública federal aumentou de 4,96% em janeiro para 5,68% em fevereiro, depois de ter ficado estável no segundo semestre de 2007. Os dados de março ainda não estão disponíveis.



 


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