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Brasília - O presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, evitou, em sua
primeira entrevista coletiva no cargo, fazer juízo de valor sobre ações
pendentes no tribunal em relação à Terra Indígena
Raposa Serra do Sol. Ele disse ser possível a Corte chegar a
uma solução, que contemple o direito dos povos indígenas
e considere outras peculiaridades da área.
“Temos desafios que
são postos e vão exigir ponderação. A
questão da fronteira, da soberania, do usofruto de áreas.
Mas acredito que a Constituição contém
mecanismos que vão permitir uma boa equação do
problema pelo Supremo. O texto constitucional já oferece
elementos para isso”, afirmou o ministro.
Mendes também
afirmou não haver empecilho a uma eventual ida de integrantes
da Corte à região indígena, situada em Roraima, para fins de uma inspeção
in loco. O ministro lembrou que este tipo de procedimento já
foi aprovado anteriormente pelo tribunal em relação a
uma área indígena na Bahia, mas ressaltou que uma
decisão sobre uma possível viagem a Roraima
“dependerá de uma consideração do próprio ministro Carlos Ayres Britto [ministro do STF, relator das ações sobre o assunto]”.
O presidente do STF
recordou sua atuação, quando ainda procurador da República, em defesa das terras indígenas do Xingu:
“Discuti o conceito de posse indígena no STF. O Supremo
vinha condenando a União a pagar indenização
por conta dos chamados apossamentos no âmbito do Xingu.
Sustentei a tese de que era possível reconceber o conceito de
posse indígena, que não coincide com posse de direito
civil”, disse Gilmar Mendes.
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