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Brasília - A greve dos auditores fiscais da Receita Federal,
que já dura 38 dias, vai continuar pelo menos até a
próxima quarta-feira (30), quando a categoria realiza em todo
o país assembléias deliberativas para avaliar os rumos
do movimento.
As negociações entre os auditores e
o governo se alongaram durante o dia e chegou-se a um meio termo
sobre o item mais polêmico da pauta, a implantação
do Sistema de Desenvolvimento da Carreira (Sidec).
O governo
concordou em incluir, na avaliação para efeito de
progressão na carreira, o fator antigüidade, considerado
no plano atual e que ficou de fora na proposta inicial apresentada
pelo Ministério do Planejamento sobre o Sidec.
No plano de carreira em vigor, além da
antigüidade, o outro fator considerado é o mérito.
Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal
(Unafisco), na proposta inicial do governo, um auditor só
chegaria ao último nível da carreira em 42 anos de
trabalho.
Agora, com a contraproposta do governo feita hoje (24), mérito e antigüidade continuam
no novo plano, o Sidec. Segundo o Unafisco, o peso que os dois fatores
terão na avaliação dos servidores ainda será
discutido entre governo e auditores.
Amanhã (25), a categoria se reúne
para começar a discutir a contraproposta, apresentada pelo secretário de Recursos Humanos do
Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva. Tanto a proposta de revisão do Sidec, quanto a do reajuste salarial, ainda serão analisadas na assembléia desta sexta-feira, mas o Ministério do Planejamento avisou que só volta a negociar se os auditores suspenderem a greve.
De acordo com a assessoria de imprensa da
Federação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita
Federal do Brasil (Fenafisp), entidade que também participou das
negociações de hoje, a proposta de reajuste salarial
feita pelo governo é de 40% e 43%, dependendo da faixa
salarial. O teto, por exemplo, chegaria a R$ 19 mil.
Ainda segundo a Fenafisp, o cronograma de
implementação do reajuste e a correção de
diferenças salariais entre funcionários que exercem a
mesma função ficaram sem solução porque o
governo alegou que não pode negociar esses pontos no momento.
Ainda na parte da manhã, quando a
negociação ainda não havia chegado ao fim, o
presidente da Fenafisp, Lupércio Montenegro, reclamou da
demora do governo em discutir o Sidec. Ao longo do dia, cerca de 200
auditores fiscais do trabalho e da Receita permaneceram em frente ao
Ministério do Planejamento esperando uma solução.
Para a presidente do Sindicato Nacional dos
Auditores do Trabalho (Sinait), Rosa Maria Campos Jorge, “a
paciência da categoria já está no limite”.
“Queremos voltar ao trabalho, mas estamos nos sentindo
desprestigiados, nosso trabalho é muito importante. Queremos o
reconhecimento devido”, disse.
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