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Brasília - O presidente da
Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício
Tolmasquim, disse hoje (24), ao sair de audiência pública
na Câmara dos Deputados, que não é justo que o
consumidor brasileiro pague a conta pelo reajuste da energia
excedente da Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu, comprada
pleo Brasil. "A ajuda ao Paraguai deve ser feita sim, mas por
outros mecanismos. Seria um erro fazer isso pela tarifa do
consumidor", disse.
A possibilidade de revisão do contrato de Itaipu Binacional, assinado em 1973, por Brasil e Paraguai, foi um dos principais motes da campanha do candidato vencedor das eleições no país vizinho, o ex-bispo Fernando Lugo. Os paraguaios foram às urnas no último fim-de-semana.
Pelo tratado que estipula as condições
de uso da energia gerada pela hidrelétrica, os dois países
têm direito à metade da energia produzida na usina. Como o Paraguai utiliza apenas 5% da parte que lhe cabe, o restante
é necessariamente vendido ao Brasil, por força do
tratado.
Tolmasquim acrescentou que o Brasil tem ciência
de suas responsabilidades em relação ao Paraguai. Mas,
segundo ele, é necessário analisar primeiro como se deu o processo da
construção de Itaipu. "É importante
entender que, no fundo, o Paraguai, nesse processo todo, entrou
apenas com a água, já que metade do rio é do
Paraguai e metade do Brasil. A usina foi construída com
alavancagem de recursos do Brasil e com tecnologia brasileira”,
afirmou.
O presidente da EPE destacou ainda que Itaipu
Binacional vale, hoje, cerca de US$ 60 bilhões. “Metade
desse empreendimento equivale a algumas vezes o seu PIB [Produto
Interno Bruto, do Paraguai], sendo que a contribuição
dele [do Paraguai], para o processo, foi o fato dele estar na
fronteira com o Brasil", explicou.
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