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Brasília - O governo brasileiro
fez, recentemente, pelo menos três concessões em favor do
Paraguai nas negociações sobre o preço da energia gerada pela Usina
Hidrelétrica Binacional de Itaipu.
Em dezembro de 2002, ainda
no período de transição entre os governos de
Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o
país reduziu a energia que é contratada obrigatoriamente
pela Administração Nacional de Eletricidade (Ande),
gerando uma energia excedente, o que favoreceu o país
vizinho.
“A Ande deixou de
pagar a Itaipu algo em torno de US$ 80 milhões por ano”,
relata o diretor da Coordenação dos Programas de
Pós-Graduação de Engenharia da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (Coppe), Luiz Pinguelli Rosa.
Há
cerca de três anos, lembrou, foi reajustada compensação
paga ao Paraguai pela cessão da energia não usada. O
valor passou de US$ 1,70 para US$ 2,80 por
megawatt/hora e isso favoreceu o Paraguai em US$ 25 milhões
por ano, disse. Outra negociação eliminou a inflação norte-americana que incidia sobre
dívida da usina. “Tudo somado, dá mais de US$ 100
milhões por ano em favor do Paraguai”, segundo o especialista.
Pinguelli
Rosa explica que a dívida de US$ 18,7 bilhões é
da usina, e não do Paraguai. E é paga por meio das
tarifas: “Todos os consumidores de Itaipu estão pagando pela
energia, em parte para amortizar esse investimento. Nós pagamos
isso na tarifa.”
A
construção da usina exigiu investimentos diretos de
US$ 12,2 bilhões, mas com a rolagem da dívida e
contratação de novos empréstimos na época,
esse montante chegou a US$ 26,9 bilhões. A dívida atual deverá ser quitada em fevereiro de 2023, quando o Tratado de Itaipu completará 50
anos.
Para
Pinguelli Rosa, apesar de ser mais cara que a energia gerada por
usinas antigas brasileiras, a energia de Itaipu está dentro
das média nacional. Ele lembra que no leilão para a Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, venceu a oferta de R$ 78,87 por megawatt/hora – o Brasil paga US$ 45,31 ao Paraguai pelo megawatt-hora de
Itaipu.
“Não digo que não se discuta, que não
se ouçam as razões do Paraguai, mas não é
um descalabro. O Paraguai não está sendo espoliado por
esse valor”, avalia.
O
professor lembra ainda que quando a usina foi inaugurada o preço da energia era caro, comparado ao da energia gerada no Brasil, e levou o governo do presidente Ernesto Geisel a estabelecer uma cota compulsória para todas as empresas de
energia elétrica.
Segundo o professor,
uma das alternativas levantadas pelo Paraguai para solucionar o
problema de Itaipu é colocar parte da energia gerada pela
usina à disposição do mercado, para ser vendida
a outros países ou até mesmo diretamente a empresas
brasileiras, sem passar pela Eletrobrás. Sobre essa opção, ele afirma que "o
valor da tarifa pode se discutir, mas colocar no mercado quebrando a
prioridade brasileira de compra é intolerável”. E acrescenta que se o Brasil fizer concessões ao país vizinho,
alterando o preço que paga pela energia de Itaipu, quem vai
pagar a conta são os consumidores. O Brasil também pode
fazer negociações fora do preço da tarifa, como
a concessão de créditos ao Paraguai para a construção
da linha de transmissão que levará energia até a
capital, Assunção.
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