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Brasília - O bispo da Diocese de Abaetetuba, no Pará, dom Flávio Giovenale, disse hoje
(24) que a situação de insegurança continua no
estado. Como exemplo, citou o caso de dom Ervim Krautler, da Prelazia
do Xingu, que está jurado de morte.
Dom Flávio
informou também que as ameaças de morte que ele próprio
vinha sofrendo cessaram após a nota divulgada pela Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no último dia 10. O
bispo de Abaetetuba começou a ser ameaçado em meados
do ano passado, por causa de denúncias de tráfico de
droga.
“Mas continua a preocupação em relação
a dom Erwin, porque não se sabe nada sobre a investigação.
Entendemos que a polícia muitas vezes tem que manter as
investigações sob sigilo, mas sentimos falta de
comunicação. Pelo menos para quem está
diretamente interessado ou ameaçado”, afirmou o bispo de
Abaetetuba à Agência Brasil.
Há
dois anos, dom Erwin está sob proteção do
Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos
Humanos, ligado à Secretaria Especial de Direitos Humanos da
Presidência da República (SEDH). Há pelo menos 10
anos, ele passou a ser ameaçado de morte, segundo dom Flávio,
por denunciar irregularidades no sul do Pará.
Inicialmente,
eram casos de grilagem, invasões de terras e extração
ilegal de madeira. Há cerca de 10 anos, dom Ervim denunciou a
castração de vários meninos da região,
que eram seqüestrados e, em alguns casos, mortos.
“A gota d'água
foi essa rede organizada em Altamira para a exploração
sexual de crianças e adolescentes”, disse dom Flávio.
“Naquela região, os ameaçadores demonstraram que não
era só intimidação, mas que podem concretizar
aquilo que ameaçam”, afirmou o bisco de Abaetetuba, em
referência ao assassinato na religiosa norte-americana Dorothy
Stang, na mesma área do estado onde dom Erwin trabalha.
De acordo com o
coordenador geral do Programa de Proteção aos
Defensores dos Direitos Humanos da SEDH, Fernando Matos, as denúncias
estão sendo acompanhadas e investigadas.
Pouco depois da nota publicada pela CNBB, revelou Matos, foi realizada uma
reunião com a Polícia Federal para pedir apoio na
investigação das novas ameaças. “Desde antes
da divulgação da carta da CNBB, a secretaria, por meio
da ouvidoria e do Programa de Proteção aos Defensores
dos Direitos Humanos, vem acompanhando a situação grave
e preocupante das denúncias no estado no Pará”,
afirmou.
Ontem (23), o Conselho de Defesa dos Direitos da
Pessoa Humana aprovou a ida de uma comissão especial para
ouvir os três bispos ameaçados de morte. “Nós
ouviremos pessoalmente os bispos, as suas denúncias, as suas
preocupações em relação à
exploração sexual infanto-juvenil e ao tráfico
de drogas. A partir disso, acionaremos as estruturas policiais do
estado e, se necessário, as federais para dar prosseguimento
nas denúncias”, disse Matos.
No contato com os bispos
também devem ser repassadas informações sobre o
andamento das investigações, tanto das denúncias
quanto das ameaças.
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