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Brasília - O embaixador Rubens Ricupero traçou hoje (24) um quadro positivo para o Brasil,
nos próximos anos, no cenário internacional. Ressalvou,
entretanto, que o país precisa pensar mais em agregar valor às
mercadorias que vende e também a começar a fazer
planejamento levando em conta o aumento da temperatura e as
perspectivas para as chuvas em cada região.
Ricupero disse que a
Austrália, por exemplo, já faz estimativas climáticas
para os próximos dez anos em seu território. Ainda
segundo ele, em razão da seca que lá ocorre, o país
reduziu em 98% a produção de arroz para evitar
prejuízos.
“A preocupação com
previsibilidade precisa ser assumida pelo Brasil”, acentuou
Ricupero, durante palestra no seminário Perspectivas para o
Brasil no Cenário Internacional, promovido pelo Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Na opinião do
embaixador, o estrangulamento do setor externo mostra que o Brasil
pode se beneficiar muito, em pouco tempo, na negociação
de commodities agrícolas e também na exportação
do petróleo, depois que for explorado o campo descoberto entre
o Espírito Santo e Santa Catarina.
Diretor da Faculdade
de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado
(Faap), Ricupero alertou, no entanto, que o Brasil tem que se
preocupar em agregar valor ao que vende. “Tradicionalmente, sempre
fomos exportadores, mas o país nunca avançou muito em
desenvolvimento e distribuição de renda”.
De acordo com ele, a expansão anual da economia brasileira em 5% permitirá que o
país faça distribuição de renda idêntica
à época em que o crescimento ficava em 7%, tendo em
vista que agora a população está crescendo
menos. Ricupero também pregou a inserção da
população no setor produtivo “para haver o coroamento
do desenvolvimento a seu favor.”
Nos próximos dez
anos, segundo Ricupero, o Brasil terá grande destaque no
mercado internacional, com a exportação de produtos
como soja, carne e outros vegetais. “É preciso atentar para
a questão do meio ambiente, pois a previsão é
que o planeta deverá aquecer adicionalmente até 2,4
graus, podendo chegar a 4 graus”.
O sucesso que o Brasil
poderá alcançar nas exportações, previu
Ricupero, permitirá maior valorização do real no
mercado internacional e, assim, o Brasil não terá
déficit de conta corrente (necessidade de enviar mais dólares
para o exterior do que recebe).
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