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24 de Abril de 2008 - 21h31 - Última modificação em 24 de Abril de 2008 - 21h31


Cenário internacional deve favorecer o Brasil nos próximos anos, diz Ricupero

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O embaixador Rubens Ricupero traçou hoje (24) um quadro positivo para o Brasil, nos próximos anos, no cenário internacional. Ressalvou, entretanto, que o país precisa pensar mais em agregar valor às mercadorias que vende e também a começar a fazer planejamento levando em conta o aumento da temperatura e as perspectivas para as chuvas em cada região.

Ricupero disse que a Austrália, por exemplo, já faz estimativas climáticas para os próximos dez anos em seu território. Ainda segundo ele, em razão da seca que lá ocorre, o país reduziu em 98% a produção de arroz para evitar prejuízos.

“A preocupação com previsibilidade precisa ser assumida pelo Brasil”, acentuou Ricupero, durante palestra no seminário Perspectivas para o Brasil no Cenário Internacional, promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Na opinião do embaixador, o estrangulamento do setor externo mostra que o Brasil pode se beneficiar muito, em pouco tempo, na negociação de commodities agrícolas e também na exportação do petróleo, depois que for explorado o campo descoberto entre o Espírito Santo e Santa Catarina.

Diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Ricupero alertou, no entanto, que o Brasil tem que se preocupar em agregar valor ao que vende. “Tradicionalmente, sempre fomos exportadores, mas o país nunca avançou muito em desenvolvimento e distribuição de renda”.

De acordo com ele, a expansão anual da economia brasileira em 5% permitirá que o país faça distribuição de renda idêntica à época em que o crescimento ficava em 7%, tendo em vista que agora a população está crescendo menos. Ricupero também pregou a inserção da população no setor produtivo “para haver o coroamento do desenvolvimento a seu favor.”

Nos próximos dez anos, segundo Ricupero, o Brasil terá grande destaque no mercado internacional, com a exportação de produtos como soja, carne e outros vegetais. “É preciso atentar para a questão do meio ambiente, pois a previsão é que o planeta deverá aquecer adicionalmente até 2,4 graus, podendo chegar a 4 graus”.

O sucesso que o Brasil poderá alcançar nas exportações, previu Ricupero, permitirá maior valorização do real no mercado internacional e, assim, o Brasil não terá déficit de conta corrente (necessidade de enviar mais dólares para o exterior do que recebe).




 


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