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Rio de Janeiro - As operações da Polícia Militar no complexo de favelas da
Penha, iniciadas no último dia 15, deixaram 16 mortos, segundo líderes da comunidade, que reclamam dos tiroteios freqüentes e acusam os policiais de truculência.
“Eu estava perto da minha porta, eles foram e me deram
porrada. Eu falei que morava ali, eles pensaram que eu era bandido, me deram
madeirada na minha cabeça e um socão”, contou um jovem de 17 anos que disse ter levado uma paulada.
Outro jovem, de 15 anos, acusou os policiais do Batalhão de
Operações Especiais (Bope): “Nós estávamos sentados em casa e eles entraram e ficaram ameaçando a minha mãe, falando que ela era vagabunda, que não trabalhava. Botaram a faca nela
e ficaram ameaçando. Nós ficamos com medo.”
A professora Angela Elvira, da Favela Merindiba, disse que teve a casa
arrombada e revirada hoje (24) por policiais militares: "Por que isso?
Eu não tenho
vínculo algum com pessoas ilícitas. Não dou guarida a ninguém. Não
existe mandado
aqui. Só lá no asfalto. Aqui enfia o pé na porta e arrebenta.”
Por meio de sua assessoria de comunicação, a Polícia Militar informou que só se pronunciará oficialmente sobre as acusações dos moradores se houver queixa formal na delegacia da região.
Para o líder comunitário da Favela Parque Operário, Edmundo
Santos, "os moradores não têm nada a ver com a guerra entre policiais e traficantes, só queremos ter paz".
Ele reclamou da falta de investimentos no conjunto de
favelas da Penha, que fica ao lado do Complexo de Alemão, beneficiado com
investimentos de R$ 495 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
“Lá é PAC e aqui é bala”, concluiu.
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