|
Brasília - Representantes do setor
privado disseram hoje (24), na saída de reunião com
representantes do ministério da Agricultura, convocada para
definir o rumo das exportações de arroz, que o governo
descartou qualquer possibilidade de impor barreiras às vendas externas do grão.
Segundo eles, os
representantes do ministério da Agricultura alegaram que houve
um mal entendido quanto à notícia divulgada ontem (23), sobre um possível pedido do governo para que o setor privado
não exportasse arroz.
O ministro Reinhold
Stephanes não participou da reunião, mas, ao sair do
ministério, confirmou que não foi pedido aos
agricultores que não exportem. “Nós vamos deixar o
mercado fluir, desde que não haja risco de desabastecimento”,
afirmou.
Quanto às
barreiras (possíveis taxações ao arroz
exportado), que estariam sendo estudadas pelo governo, o ministro
disse que só serão adotadas em casos extremos.
De acordo com o
representante da Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil (CNA) na Câmara Setorial do Arroz, Francisco
Schardong, as exportações brasileiras de arroz
totalizaram 800 mil toneladas no ano passado. “E a meta de
exportação deste ano é a mesma”, afirmou.
O presidente da
Federação das Associações do Arrozeiros
do Rio Grande do Sul (Federarroz), Renato Rocha, disse que o Brasil
só exporta arroz para ganhar novos mercados. “Os produtores
continuam querendo alcançar a meta de 800 mil [toneladas de
arroz exportadas]”, disse.
O governo marcou para o
próximo dia 5 de maio leilão de 50 mil toneladas dos
estoques do governo, armazenados no Rio Grande do Sul e de outras 5
mil toneladas, armazenadas em Santa Catarina. Até lá,
não será tomada nenhuma decisão quanto às
exportações.
Como o arroz desses
estoques regulatórios é da safra 2004/2005, o preço da saca foi cotado a R$ 28 a saca, valor aceito pelos
produtores e a indústria beneficiadora por ser de safra
passada. O leilão é para conter a alta no mercado
interno. Pelo índice Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP), que mede o preço médio do arroz do Rio Grande do Sul, valor da saca de 50 quilos passou de R$ 23,58 (registrado no dia 1º de abril) para R$ 32,06, no último dia 23.
O deputado federal, da
bancada ruralista, Luiz Carlos Heinze (PP-RS) disse que, ao contrário
do que foi dito anteriormente, será melhor exportar agora que
o preço do arroz no mercado internacional está alto. “É
importante o Brasil aproveitar o momento de preços altos para
exportar também. Precisamos ganhar novos mercados”, observou
Heinze. Ele se disse contrário à qualquer imposição
de barreira às exportações.
Stephanes destacou que,
depois do leilão marcado para maio, o governo passará a
analisar o mercado semanalmente, para avaliar a necessidade de
promover novos leilões dos estoques reguladores. O intuito é
conter a alta de preços do arroz.
A matéria foi alterada para acréscimo de informações.
|