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Acra (Gana) - Representantes da
sociedade civil receberam com certa frustração o
rascunho do documento final da 12ª Unctad – Conferência
das Nações Unidas sobre Comércio e
Desenvolvimento, que se encerra nesta sexta-feira (25), na cidade
africana de Acra, em Gana. O documento, ainda não divulgado
para a imprensa, circulou na noite de ontem (23) entre alguns dos
movimentos sociais e organizações não-governamentais
que participam da conferência.
Segundo Amade Sucá,
coordenador para a Área de Alimentação na África
da Action Aid (ONG que trabalha para vencer a pobreza), a única
demanda da sociedade civil atendida no documento refere-se a um
posicionamento objetivo quanto a inflação das
commodities e a má distribuição dos lucros.
"Há um
reconhecimento de que existe uma subida galopante de preços ao
consumidor e de que o preço de compra do produtor é
bastante baixo. Esse aspecto, que é a razão fundamental
de nossa presença aqui, está claramente estabelecido no
documento", antecipou Sucá à Agencia Brasil.
A Unctad evitará,
no entanto, firmar posição quanto a regulação
da atuação das multinacionais - outra demanda da
sociedade civil organizada, segundo Sucá.
Um dos consensos do
Fórum da Sociedade Civil é o entendimento de que a
crise mundial de alimentos não se deve à insuficiência
de produção, mas ao livre mercado.
"Já vimos
que não funciona deixar que a lei do mercado regule a lei da
oferta e da procura. São necessários mecanismos de
nível internacional para regulamentar o poder das
multinacionais", defendeu o representante da Action Aid.
Ele explicou que as
multinacionais, por terem o monopólio, acabam ditando o preço
da compra das mercadorias, e compram dos produtores a valores baixos.
Como detêm a produção, comercializam quando
querem.
"Inflacionam o
preço por meio da especulação. Nesse processo
todo, o camponês é quem perde, pois vende a preço
baixo a sua mercadoria. Depois de processada [a mercadoria],
ela é vendida no mercado a preço alto e ele não
pode comprar. Quem se beneficia desse processo todo são as
multinacionais", reiterou Amade Sucá.
Dificilmente o tema
ainda será incluído no documento final da 12ª
Unctad, disse.
Outra questão
que não será contemplada, segundo Sucá, é
a proposta do G77 - apoiada pelos movimentos sociais - de criação
de uma comissão para a globalização na Unctad. A
proposta não foi aprovada por resistência dos Estados
Unidos e da União Européia.
Os representantes da
sociedade civil também esperavam um posicionamento incisivo da
Unctad quanto ao cumprimento, pelos países ricos, do
compromisso de alocação de 0,7% do Produto Interno
Bruto (PIB) em um fundo para a diversificação da
economia dos países subdesenvolvidos, de forma que não
dependam de um único produto.
Segundo Amade Sacú,
42 países africanos dependem de apenas uma mercadoria - café,
banana, petróleo, etc.
"Quando há
oscilação do preço dessas mercadorias, isso tem
um impacto direto na renda destes países", ressaltou. "É
importante que se crie um fundo e que os países desenvolvidos
coloquem à disposição recursos financeiros para
que os países pobres possam de fato, em momentos como este que vivemos,
acionar estes fundos, revitalizar seu setor produtivo e evitar esta
calamidade", defendeu.
O documento final da
12ª Unctad será votado no final da tarde desta
sexta-feira, em cerimônia de encerramento da conferência.
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