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Brasília - Os 26 estados e o Distrito Federal
assinaram termos de compromisso para a implementação do
Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), mas, mesmo
depois de um ano, a entidade que representa os trabalhadores do setor
avalia que faltou debater as ações do plano com a
sociedade.
Para o presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto
Leão, o fórum apropriado para debater o PDE seria a
Conferência Nacional de Educação Básica. A
última edição do evento ocorreu na semana
passada.
Por esta razão, segundo Leão,
o plano não se configura como um documento que reflete um
planejamento orgânico, construído por meio de propostas,
mas, sim, um conjunto de ações formado por decretos,
resoluções e projetos de lei.
Mas, a despeito da crítica, o
dirigente acredita que houve um esforço para agregar as iniciativas de todas as esferas de governo e, assim, ter meios de
garantir o cumprimento das ações nos estados e
municípios. “O PDE é importante porque o governo
federal toma a iniciativa, chama para si a responsabilidade de
formular propostas para que melhore a condição da
educação pública brasileira. Nesse primeiro ano
de vigência, o governo buscou construir com estados e
municípios a adesão necessária”, disse.
Segundo ele, apesar de todas as
unidades da federação terem aderido ao PDE, ainda não
é possível avaliar seus resultados: “Não dá
para ter ainda uma avaliação absolutamente clara do
êxito ou do fracasso do PDE.”
Leão destacou, dentre ações
que considera importantes, os programas de formação de
milhares de professores leigos. Se colocada em prática como
estipula o plano, é uma proposta que pode gerar avanços
na educação básica, segundo o presidente da
CNTE. “Como vai acontecer essa formação é o
problema”, ponderou.
“O projeto de valorização
dos professores pode vir a dar certo com algumas correções
como, por exemplo, no que diz respeito ao fato de não ser
totalmente presencial. É preciso que se faça uma
discussão sobre como se darão as aulas a distância,
como serão acompanhadas as tarefas que os professores terão
de fazer para completar a sua formação”,
complementou.
Outra proposta controversa do PDE é
a alfabetização de todas as crianças até
os oito anos de idade. Leão classificou a meta como “rígida”
porque, em seu entendimento, a alfabetização é
um processo. “A menos que a gente esteja querendo ensinar as
crianças a decodificar os signos. Alfabetização,
para nós, é uma coisa além disso. É a
possibilidade que a pessoa possa manifestar, de maneira ordenada, um
pensamento. Ser capaz de ler um livro e entender o que está
escrito”, explicou.
Leão criticou, ainda, o fato do
aumento do piso salarial não ter sido aprovado pela Câmara
dos Deputados, mesmo depois de previsto no PDE. Para ele, há
também deficiências no pagamento de alfabetizadores de
jovens e adultos por conta da “burocracia do governo e do próprio
MEC, problemas que não foram superados ainda”.
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