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Brasília - Entre as mulheres
negras que são trabalhadoras domésticas, 75,6% não
têm carteira assinada. Entre as mulheres não negras, o
percentual é de 69,6%. No caso dos homens, 61,9% dos negros e
54,9% dos brancos trabalham na informalidade.
Os dados
são de uma nota técnica que a Organização
Internacional do Trabalho (OIT) divulgou em relação ao Dia Nacional do Trabalhador Doméstico, comemorado hoje (27). A nota é baseada nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para Solange Sanches, coordenadora da área de gênero e raça da OIT, os dados mostram que, apesar de alguns avanços,
as diferenças entre homens e mulheres persistem nessa
profissão.
“Mesmo em uma categoria que já é
tão vulnerável e tem condições de
trabalho tão precárias, ainda assim a desigualdade de
gênero e raça se mantém e aparece claramente”,
disse.
O
relatório da OIT diz também que a formalização
do trabalho doméstico cresceu 10,2% entre 2004 a 2006. Para as
trabalhadoras domésticas negras, o percentual chegou a
17,2%. Segundo Sanches, esse tipo de trabalho acompanha um crescimento geral da formalização que está ocorrendo no país.
“Para
que tenhamos uma situação mínima de
igualdade no mercado de trabalho, é preciso corrigir com mais
rapidez a situação das mulheres negras, que é a
pior de todas”, diz.
Houve
também uma diminuição da diferença de
rendimentos entre 1995 e 2006. Em 1995, as mulheres negras recebiam o
equivalente a 55,4% dos rendimentos dos homens brancos. Em 2006, as
mulheres negras passam a receber 66,4%. Para Sanches, essa diminuição
é insuficiente: “É muito bom verificar que os
rendimentos vêm crescendo, mas ainda assim persiste a
desigualdade.”
A pesquisa mostrou
também que, em 2006, 27,8% do total de trabalhadores
domésticos tinham carteira assinada. Entre os 72,2% que não
possuíam vínculo formal de trabalho, as trabalhadoras
negras correspondem a 57,5%; as mulheres não-negras são
37,0%; os homens não-negros, 2,0%; e os homens negros
somam 3,4%.
Para a coordenadora, o
esclarecimento e a valorização dos profissionais são o caminho para melhorar a situação dos trabalhadores
domésticos no Brasil. “Com informações, as pessoas compreendem a
importância de ter a carteira assinada, de recolher para a
Previdência Social, porque isso é uma garantia hoje e
para o futuro. E é preciso valorizar para que esse registro
como trabalhadora doméstica seja um motivo de orgulho”, disse
O secretário de Políticas Públicas de Emprego do
Ministério do Trabalho, Ezequiel Nascimento, destacou como fundamental o esclarecimento
tanto de patrões como de empregados. Ele
lembrou que a fiscalização das condições
de trabalho é mais difícil no caso dos trabalhadores
domésticos, porque para isso é preciso entrar na casa
das pessoas.
“Para o
Estado é muito fácil fiscalizar e autuar uma empresa,
uma usina, uma indústria, mas entrar no lar é
diferente”, disse, ao informar que o governo federal está
organizando uma campanha nacional de esclarecimento dos direitos e deveres de empregadores e trabalhadores.
O
Ministério do Trabalho também está firmando
convênios em diversos estados para qualificar os trabalhadores
domésticos. Segundo Nascimento, no ano passado foram
oferecidas para esse tipo de trabalho 33 mil vagas, das quais 13 mil
não foram preenchidas por falta de qualificação dos
candidatos.
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