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27 de Abril de 2008 - 10h41 - Última modificação em 27 de Abril de 2008 - 19h32


Sem carteira assinada, doméstica diz que prefere voltar para roça no Piauí

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil

 
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Wilson Dias/ABr
Brasília - Leci Aniceto dos Santos é empregada domestica e diz que só trabalha com a carteira de trabalho assinada Brasília - Leci Aniceto dos Santos é empregada domestica e diz que só trabalha com a carteira de trabalho assinada
Brasília - A empregada doméstica Leci Aniceto dos Santos faz questão de que suas patroas assinem a carteira de trabalho. Segundo ela, que está desempregada há pouco mais de dez dias, mesmo que surja uma oportunidade de emprego, se não for com carteira assinada “nem pensar”.

“Aí eu prefiro voltar para a roça no Piauí”, diz, contando que está em Brasília há aproximadamente oito anos. Ela faz parte, no entanto, de uma minoria de mulheres negras que exigem os poucos direitos trabalhistas a que esse grupo pode ter acesso. Segundo pesquisa realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), 75,6% das trabalhadoras domésticas negras não têm registro na carteira de trabalho. Apesar de os indicadores ficarem piores quando separados por raça, a realidade de maneira geral é negativa para essa classe de empregados que só têm garantidos nove dos 34 direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). São 6,6 milhões e apenas 27,8% deste total possuem vínculo formal de trabalho. No caso de Leci, ela diz saber que a carteira de trabalho serve de referência para outros empregos e de garantia para exigir seus direitos. "A carteira é muito melhor, porque sem ela eu não tenho as referências, não tenho como provar que já trabalhei em várias casas”, explica. Apesar de ainda não ter voltado ao antigo emprego para receber o valor da rescisão do contrato de trabalho, a empregada doméstica já se adiantou e procurou o sindicato para saber quanto tem a receber, incluindo o valor do aviso prévio.

“Não sei se eles iam me pagar tudo isso, mas agora pelo menos eu já sei direitinho quanto tenho a receber”, diz. O valor, R$ 1.931,70, vai ajudar a manter as contas de casa enquanto ela e o marido tiverem que se sustentar apenas com os R$ 700 que ele recebe como caseiro – R$ 50,00 a mais que o salário anterior dela. E uma parte da renda mensal, segundo Leci, vai ainda para os quatro filhos que moram com o pai no Piauí.


 


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