O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou hoje (25) que tenha feito críticas muito duras aos Estados Unidos por causa da produção de etanol a partir do milho.

“Não nominei país porque é uma briga comercial mundial e tecnológica”, disse o presidente, ao ser questionado pelos jornalistas sobre o discurso com críticas à produção de etanol a partir do milho.

“O que nós queremos é que o mundo tenha compreensão, que para o cumprimento do Protocolo de Kyoto, só tem uma solução, é produzir o etanol ou comprar do Brasil, e de preferência produzir da cana-de-açúcar”.

Segundo o presidente, sua “aparente irritação” nos discursos feitos hoje foi motivada por causa do que chamou de “mentiras deslavadas” em relação aos motivos para alta no preço dos alimentos.

“Fico extremamente feliz de ver que o povo está comendo mais. O problema é que nós temos que produzir mais alimentos, porque na hora em que você tem uma demanda grande e a oferta é pequena, aumenta o preço dos produtos ou falta produtos”, ressaltou.

Lula disse que o Brasil está buscando o equilíbrio e o reconhecimento de quem tem “trinta e três anos de conhecimento de produção do álcool a base da cana”.

O presidente disse não ter informações se vai haver aumento do preço da gasolina. “Por enquanto não tenho nenhuma informação, e se recebê-la, essa discussão tem que passar pelo governo”.

O presidente ressaltou que tem que olhar “qualquer aumento, de qualquer coisa na área de combustível, qual a implicação que vai ter na inflação, para que a gente possa tomar qualquer medida”.

Sobre as possíveis restrições às exportações de arroz para conter a lata nos preços, Lula disse que o Brasil adotou a decisão de ser cauteloso na exportação do produto porque o país tem pouco mais de um milhão de toneladas de reserva.

“Não podemos exportar antes de ver a safra nova, porque não queremos correr o risco de faltar alimento no Brasil. Mas vamos continuar exportando”, disse.

O presidente disse não ter ficado preocupado com a prisão ontem (24) de um conselheiro do banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na Operação Santa Teresa, da Polícia Federal.

“Não tem nada a ver com o papel que ele tinha no conselho. A impressão que se tem é que o cidadão cometeu isso não porque era conselheiro, quando a pessoa quer cometer um delito ou quer praticar mau-caratismo, se aproveita de qualquer oportunidade”.