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Brasília - Um ano e meio após a aprovação pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), secretários
de saúde estaduais e municipais e o Ministério da Saúde assinaram a pactuação da Política
Nacional de Saúde Integral da População Negra.
A
pactuação, assinada na última semana, define como a política será implementada pelas três esferas do poder
público. “Os gestores, secretários estaduais e
municipais de saúde e o governo federal assumem o compromisso
de colocar em execução o que está contido na
política”, explica o secretário de Gestão
Estratégica e Participativa do ministério, Antônio
Alves de Souza.
Para o
período 2008/2009 estão previstos cerca de R$ 300
milhões para a política. De acordo com o secretário,
como se trata de uma política transversal, “que abrange
quase 50% da população brasileira”, a rubrica reunirá
recursos de outras políticas públicas.
“Por exemplo,
existe a política de saúde do adolescente, temos
adolescentes brancos e negros; a [nova] política traz
para o fórum essa discussão de como é necessário
organizar os serviços de saúde para o adolescente, de
forma direcionada ao adolescente negro”, esclarece.
Além
das políticas articuladas, os recursos serão destinados
a demandas específicas da população negra, como
mais atendimento a pacientes de anemia falciforme, mais recorrente
entre os negros. Outra diretriz é a inclusão da
temática da saúde da população negra na
formação de profissionais da área.
Dados do
Ministério da Saúde revelam que em 2005, a proporção
de mulheres negras que não fizeram pré-natal foi cinco
vezes maior do que a proporção de mulheres brancas.
Entre as mulheres brancas, 67% realizaram sete ou mais consultas.
Entre as pretas e pardas, os índices foram 45% e 39%,
respectivamente.
De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004, 46,3% das
mulheres negras com 25 anos ou mais nunca haviam sido submetidas a
exame clínico nas mamas. Entre as brancas, o percentual cai
para 28,7%.
“É
preciso resgatar essa dívida social do sistema público
de saúde, da sociedade brasileira, com essa população
tão espoliada, com indicadores que demostram claramente a
exclusão, o preconceito, inclusive o racismo institucional que
existe no sistema de saúde”, aponta Souza.
De acordo
com o secretário, as diferenças no atendimento entre
mulheres negras e brancas, por exemplo, vai desde o número de
procedimentos ofertados ao acesso de acompanhantes na hora do parto.
“ O problema existe e tem que ser enfrentado”, defende.
As ações
da Política Nacional de Saúde Integral da População
Negra serão aplicadas principalmente em estados como Minas
Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Maranhão, onde há maior
concentração da população negra.
* Colaborou Juliana Cézar Nunes, repórter da Rádio Nacional
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