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Brasília - Os depoimentos de
moradores de São Domingos do Araguaia, no interior do Pará,
colhidos hoje (25) por integrantes da Comissão de Anistia do
Ministério da Justiça trazem relatos de excessos que
teriam sido cometidos por membros do Exército que combateram
naquela região a guerrilha de resistência à
ditadura promovida pelo PCdoB na década de 70.
“Existem dois casos
mais comuns. Das pessoas que foram abordadas pelas Forças
Armadas para que pudessem prestar informações sobre o paradeiro dos guerrilheiros, alguns alegam ter sido presos,
torturados e levados para diferentes localidades da região. O
segundo tipo são pessoas que alegam terem sido forçadas
a colaborar com as forças de combate à guerrilha
fazendo o papel de guias para o embrenho na mata”, informou à
Agência Brasil o presidente da Comissão de Anistia,
Paulo Abrão, à frente do órgão desde
abril de 2005.
Os combates entre militares e guerrilheiros ocorreram na região conhecida como Bico
do Papagaio, divisa entre os estados do Pará, Maranhão
e Goiás. Pelo menos 58 militantes do PCdoB desapareceram e
nunca tiveram os corpos localizados.
Nos trabalhos de hoje,
a comitiva do Ministério da Justiça estabeleceu três
turmas simultâneas de interrogatório de testemunhas e depoimentos de
moradores que sustentam ter tido algum prejuízo por danos
morais e materiais à época da ditadura militar, quando
houve o combate à guerrilha do Araguaia. A meta é ouvir
até amanhã 140 pessoas da região.
Os
depoimentos coletados, ressaltou Abrão, serão
confrontados com outros já tomados pelo Ministério
Público Federal em 2005, e também com documentos da
Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e
de pesquisadores da região.
“Fazemos
um cruzamento para verificar se há uma lógica nas
informações que estão sendo prestadas. Buscamos
também comprovar que a pessoa vivia aqui à época,
com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos do governo do Pará”,
disse Abrão. “A comissão é muito rigorosa no
que tange à comprovação das alegações”,
acrescentou.
Atualmente há na Comissão de Anistia 240 processos pendentes referentes a
indenizações pleiteadas por fatos relativos à
época da guerrilha do Araguaia. A previsão de Abrão
é de que estes julgamentos estejam concluídos ainda no
primeiro semestre desse ano.
O protocolo
da Comissão permanece em aberto e qualquer cidadão
pode entrar com requerimento. Os pedidos de indenização
analisados são de pessoas que julgam ter sido impedidas de
exercer atividades profissionais ou econômicas por motivação
exclusivamente política no período de 18 de setembro de
1946 a 5 de outubro de 1988. Desde 2001, quando o órgão
foi criado, já foram julgados 37.270 requerimentos de um total
de 60 mil. Desde abril de 2007, segundo o Ministério da
Justiça, as parcelas mensais tiveram um valor médio de
R$ 3,7 mil e a média de prestação única –
limitada a R$ 100 mil – ficou em R$ 56 mil.
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