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São Paulo - Apesar das freqüentes denúncias sobre as más condições de trabalho
existentes nas lavouras de cana-de-açúcar do país, a quantidade de mortes de trabalhadores do setor é menor do que a média geral da agricultura. A conclusão
consta de uma pesquisa apresentada sexta-feira (25), pelo recém-criado Grupo de
Extensão em Mercado de Trabalho (Gemt) da Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo
(Esalq/USP). De acordo com o estudo, que cruzou
dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS), dos mais de 400 mil de agricultores que trabalhavam em
lavouras de cana, com carteira assinada, em 2005, 453 morreram - 0,105% do total.
Já entre os pouco mais de 2 milhões de agricultores empregados em lavouras de outras
culturas, exceto a da cana, 2.901 faleceram - 0,134% do total. Na comparação entre o número de
mortes ligadas a acidente ou ao trajeto para o trabalho, o setor da cana também
não registra os piores índices. Enquanto 0,007% do empregados em lavouras de culturas que não a
da cana tiveram sua morte ligada ao trabalho, isso só ocorreu com 0,004% dos cortadores de cana.
Segundo o levantamento, assinado
pelas pesquisadoras Márcia de Moraes e Andréa Ferro, apesar dos resultados só
levarem em consideração as mortes de trabalhadores com carteira assinada, o número
de falecimentos entre agricultores é “extremamente baixo”, e “ainda menores entre os
empregados para trabalhar com a cana-de-açúcar”. No que diz respeito à aposentadoria, o estudo
indica também que a teoria de que os trabalhadores dos canaviais aposentam-se mais
cedo é falsa, assim como a teoria de que mais cortadores de cana tornam-se inválidos
por trabalharem no campos da cultura. Enquanto 0,005% dos empregados na cana foram
aposentados por invalidez em 2005, em outros setores, a média foi de 0,016% do total.
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