O coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Celso Augusto Schröder, está entre os convidados do Fórum Social do Mercosul, que se realiza até segunda-feira (28) na Universidade Federal do Paraná. E disse ver na concentração e na verticalização
da propriedade dos meios de comunicação um impedimento para a efetiva democracia do
Brasil e das Américas.
“Isso significa implementar, entre outras coisas, um efetivo controle público sobre os meios de comunicação. Não é estatizar, mas atribuir um estatuto de controle social, seja nos meios privados ou estatais, reorganizar os sistemas por meio de mecanismos de regulação comuns há mais de 50 anos nos Estados Unidos, mas que aqui ainda não existem", afirmou.
Para Schröder, é preciso despertar a sociedade para entender que essa relação com a imprensa, no Brasil e na América do Sul, é fruto de políticas mal elaboradas. “Defendemos todo e qualquer direito de liberdade de expressão, mas que este direito venha com qualidade", destacou.
Na opinião do coordenador, o cidadão precisa de um meio de comunicação que não esteja preocupado apenas com a audiência, mas com a produção de programas de qualidade e que cumpram seu papel de prestação de serviços: “A dimensão que se deu à comunicação até agora foi mais a de negócios. Não somos proprietários da informação – ela é pública e, como tal tem de ser tratada.”
Na solenidade de abertura, representantes dos movimentos sociais que participam do Fórum Social do Mercosul destacaram a "integração entre os povos da América Latina". A presidente da Associação das
Mulheres do Paraguai, Lígia Prieto, disse que se o continente "não estiver unido não haverá tratado de livre comércio".
E a uruguaia Carmen Sosa, que liderou o plebiscito contra a privatização da água no país em 1990, reforçou a importância da participação dos movimentos sociais para garantir a vitória: “Mais de 70% das pessoas votaram favoráveis à concessão dos serviços às empresas públicas e não às particulares.”
No final deste primeiro dia de debates, na Agenda dos
Trabalhadores para o Desenvolvimento, o economista Cid Cordeiro, coordenador estadual do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), lembrou que as conquistas dos sindicatos nos últimos anos foram determinantes
para o crescimento da economia. "Há um consenso entre lideranças de que essas conquistas foram fundamentais para o aumento na renda das famílias, a ampliação na geração de empregos, que levaram o
país a produzir mais riquezas e aquecer o mercado interno", disse.