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Curitiba - A água como um bem público
e um direito de todos é um dos principais temas tratados hoje (27) no Fórum Social do Mercosul, que se realiza até amanhã (28) na
Universidade Federal do Paraná.
A uruguaia Carmem Sosa, conhecida por coordenar
em seu país o plebiscito contra a privatização da água, integra uma das comissões
dos 12 países presentes ao encontro. Segundo ela, os números oficiais,
apresentados pela Organização das Nações Unidas (ONU), deixam clara a
necessidade da integração entre os povos, do intercâmbio do conhecimento para vencer
o que ela chamou de “guerra”.
"São 2,6 bilhões de pessoas – mais de 40%
da população mundial – sem saneamento
básico, um bilhão de pessoas usando fontes de água impróprias para o
consumo e 5 milhões de pessoas, na
sua maioria crianças, morrendo todos os
anos de doenças relacionadas à qualidade da água”, alertou.
Sosa disse ainda ter ouvido do governador do Paraná, Roberto
Requião, que o estado pretende seguir o exemplo do Uruguai, onde o plebiscito decidiu que a água é
pública.
O aquecimento global e as
mudanças climáticas, e como se deve lidar com essas novas questões, serão
mostrados em vários vídeos durante o Fórum e depois será aberto o debate entre os convidados.
Entre os documentários destacam-se Sede - Invasão Gota a Gota, da argentina Mausi
Martinez, que retrata a preocupação quanto ao uso sustentável e estratégico do
Aqüífero Guarani, e Além do Jejum - A luta de dom Luiz Flávio Cappio contra a transposição do Rio São Francisco, do
também argentino Carlos Pronzato.
Dom Ladislau
Biernaski, bispo de São José dos Pinhais (PR) e representante da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB) no Fórum, convocou os participantes a “exigirem”
que governos de seus países se comprometam a garantir o direito de todos à
água e que a declarem como bem público.
“Precisamos de uma legislação adequada,
com força jurídica pela ONU, por meio de uma Convenção Internacional da Água", defendeu, ao lembrar que no último dia 22 o
Conselho Ecumênico das Igrejas Cristãs e a Conferência dos Bispos da Suíça confirmaram, junto com a CNBB, a declaração de igrejas do mundo inteiro em favor da água como
direito humano e bem público.
Segundo ele, este documento foi assumido em 2005
e será renovado todos os anos, em sintonia com a Década Internacional da Água
(2005-2015).
O painel da água abordará ainda a
importância da preservação do Aqüífero Guarani, denominação dada à reserva de
água do subsolo da região sul do continente, com um estoque estimado em 50 quatrilhões de litros de água pura. A área
de abrangência é de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, dos quais 71% estão localizados no Brasil, 19% na Argentina, 6% no Paraguai e 4% no
Uruguai.
No estado, a abrangência é de 131,3 mil quilômetros quadrados e cerca
de 2,9 milhões de paranaenses são abastecidos com águas provenientes do aqüífero.
O painel Boas Práticas, sobre o uso correto da água, será
coordenado por Maria Arlete Rosa, diretora de Meio
Ambiente e Ação Social da empresa estadual de saneamento. Segundo ela, serão debatidas práticas corretas de gestão, adotadas por
órgãos públicos estaduais, prefeituras, organizações não-governamentais e
outras instituições. Ela destacou a apresentação de projetos na Região Metropolitana de Curitiba, como o da Vila Zumbi dos Palmares (Colombo), e as ações realizadas no Jardim Guaraituba, em Piraquara,
com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Estão previstos R$ 98 milhões para obras de urbanização e regularização fundiária na área, onde vivem cerca de 40 mil pessoas. O projeto preserva os mananciais, já que a planície do Guarituba é cortada por três rios (Piraquara, Irai e Itaqui), reponsáveis por 70% da água que abastece a capital..
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