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Brasília - Os gastos dos Três Poderes da República
com pessoal e encargos sociais decorrentes crescem ano a ano e
alcançaram R$ 126,8 bilhões em 2007, segundo dados obtidos junto à assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento. As
contratações de pessoal e os aumentos salariais
concedidos a quase todas as categorias do funcionalismo, seja no
Executivo, no Legislativo ou no Judiciário, foram responsáveis
pelo aumento.
Esse é o custo de 2 milhões de
pessoas que movimentam a máquina do Estado. Em matéria
de despesa pública no país, o número só perde para a
Previdência Social, que em 2007 registrou gastos de R$ 33,5
bilhões. O programa Bolsa Família investe R$ 10 bilhões em 8 milhões de famílias.
O campeão em matéria de aumento da
folha de pessoal é o Judiciário. O aumento médio
dos gastos da Justiça com funcionalismo chega a 40,2 % entre
2002 e 2008. Essa explosão de despesas se verifica a partir de
2006, já que antes os gastos eram inferiores aos do
Legislativo e do Executivo.
Em 2004, por exemplo, a folha do
Judiciário cresceu apenas 1,6%, contra 9,1% do Legislativo e
6,6% do Executivo; em 2005, 1,8% contra 20,0% e 4,0%,
respectivamente. A partir de 2006, as despesas do Executivo com a folha cresceram 3,6%,
enquanto as do Judiciário subiam 14,8% e as do Legislativo
cresciam 31,8%.
No ano passado, houve nova mudança no
perfil dos gastos dos Três Poderes com funcionalismo: o
Legislativo, com um crescimento médio de 30,0%, o Judiciário
(24,7%) e o Executivo (12,1%) inchavam sua folha. Neste ano o
panorama continuou o mesmo, com o Judiciário disparando na
liderança (40,2%), seguido pelo o Legislativo (28,6%) e o
Executivo em terceiro (17,0%), mas gastando mais do que em 2007
(12,1%).
Em números absolutos, os valores do
Executivo são mais altos, pois seu quadro de pessoal, tanto da
ativa quanto inativos, já que o quadro é maior do que o
dos outros dois Poderes da República: 1,3 milhão de
servidores, que geraram no ano passado gasto de R$ 92,2 bilhões,
incluindo a contribuição patronal previdenciária.
Foram gastos R$ 41,7 bilhões com o pessoal ativo (R$
31,5 bilhões com os civis e R$ 10,2 bilhões com
os militares). A contribuição patronal alcançou
R$ 5,8 bilhões.
O custo dos inativos (aposentados e pensionistas)
do Executivo já supera o do pessoal da ativa, chegando a R$
44,8 bilhões, dos quais R$ 26,8 bilhões com os
civis e R$ 17,9 bilhões com os militares. É o único
dos Três Poderes que apresenta essa anomalia, já que no
Legislativo e no Judiciário essa relação é
o inverso.
Hoje, o pessoal ativo da Justiça custa aos
cofres públicos R$ 10,8 bilhões e os inativos, R$
3,5 bilhões. O total, incluindo a contribuição
patronal, é de R$ 16,2 bilhões. O Legislativo gasta
com pessoal R$ 5,6 bilhões, dos quais R$ 3,3 bilhões
com os da ativa, R$ 1,8 bilhões com os aposentados e
pensionistas, e R$ 453 milhões em contribuição
patronal.
Alguns reajustes concedidos a diversas
categorias do funcionalismo nos últimos seis anos estão entre os
fatores para o aumento dessa despesa. É o caso dos auditores fiscais
da Receita Federal, em greve há mais de 30 dias. Entre 2002 e
2007, eles obtiveram reajustes salariais que alcançaram
123,46% no vencimento inicial da carreira e de 81,41% no final.
De R$ 4.544,54 o piso salarial subiu para R$
10.155,32 e o teto passou de R$ 7.376,91 para R$ 13.382,26. Agora,
eles exigem equiparação com os delegados federais, que
têm piso de R$ 11.614,10 e teto de R$ 16.683,98.
Embora tenham conseguido melhorar seus ganhos
nesse período, os fiscais da Receita não são os
campeões do ranking de aumentos percentuais de salários
no serviço público federal. Eles perdem longe para a
área jurídica do governo (advogados, defensores), que
tiveram 194,64% de reajuste em início de carreira, e hoje, no
final, chegam a receber R$ 12.900,42.
Mas esses também ficam muito para trás,
quando comparados aos médicos peritos do Instituto Nacional de
Seguridade Social (INSS), que receberam, no piso, 203,63% de reajustes e
no teto, 161,92%, passando de R$ 2.315,97 para R$ 7.032,08 (piso) e
de R$ 3.621,19 para R$ 9484,59 (teto).
Os servidores do chamado Plano Geral de Cargos do Poder Executivo
(PGPE), antigo PCC, grupo que congrega 53.325 funcionários
públicos dos níveis superior, intermediário e
auxiliar, também receberam aumentos entre 2002 e 2007. No nível superior os salários variaram de 219,11% (inicial) e 67,38% (final); no intermediário, de 238,05% (inicial) e 89,28% (final) e no auciliar, de 175,60% (inicial) e 149,98% (final).
Outro grupo cujos vencimentos foram reajustados nos últimos cinco anos foi o dos pesquisadores,
como o do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), com
mestrado, que obteve 249,05% de reajuste para os vencimentos de final
de carreira, o mais alto de todos os grupos pesquisados, passando de
R$ 2.186,17 em 2002 para R$ 9.565,81 em 2007.
Atualizada para acréscimo de informação sobre a fonte dos dados, correção de valores referentes aos gastos e extração de trechos opinativos.
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