|
Brasília - O vice-procurador-geral
da República Roberto Gurgel concluiu em parecer que todas as
fases da demarcação e homologação da
Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, respeitaram os
procedimentos legais e foram baseadas em “consistente” estudo
antropológico.
A manifestação
da Procuradoria Geral da República (PGR) é uma resposta
a ação ajuizada pelo senador Augusto Botelho (PT-RR) no
Supremo Tribunal Federal (STF), em que pede a nulidade dos atos
praticados pelo Ministério da Justiça. O parecer foi
enviado ao Supremo, onde será analisado pelo ministro Carlos
Britto, relator da ação.
Ao citar dispositivos
constitucionais, o vice-procurador sustentou que a posse a ser
garantida aos indígenas “há de ser aquela voltada ao
seu sustento e indispensável à preservação
de sua identidade cultural, devendo abranger todo o espaço
físico necessário para tanto”.
Roberto Gurgel defendeu
ainda que o direito dos índios à posse das terras deve
prevalecer sobre o de qualquer outro grupo, por ser anterior e se
tratar de “mero reconhecimento do que há muito está
garantido”.
O vice-procurador
descartou a tese de que a demarcação venha a causar
riscos à soberania nacional. Segundo ele, tais riscos poderiam
ser eliminados por “outros mecanismos, sem sacrifício do
direito dos povos indígenas”.
“Se a demarcação
de áreas indígenas é vista como ameaça às
nossas fronteiras, das duas, uma: ou se recusa aos índios a
condição de humanos, ou se tem por incapazes para os
fins daquele projeto, conclusões, no mínimo,
inadequadas”, argumentou Gurgel.
O vice-procurador
recomendou um reforço de fiscalização na área.
“É preciso fiscalizá-las [as ONGs] de forma
ativa e com maior firmeza e constância, sem dúvida, o
que não elide, todavia, a necessidade de demarcação
e o direito dos povos indígenas”.
A Terra Indígena
Raposa Serra do Sol foi homologada em 2005. O decreto presidencial
previa um prazo de um ano para a saída dos não-índios
da área de 1,7 milhão de hectares, no nordeste de
Roraima. Mas um grupo de famílias lideradas por oito grandes
produtores de arroz decidiu resistir, com apoio de parte da população
indígena.
No início deste
mês, a Polícia Federal montou a Operação
Upatakon 3 para fazer a retirada, mas o STF acolheu pedido do governo
de Roraima e mandou suspender a operação até o
julgamento de mérito das ações pendentes que
contestam a homologação.
O presidente do STF,
ministro Gilmar Mendes, prevê que o caso será julgado no
plenário da corte ainda neste semestre.
|