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Brasília - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje (29), na reunião da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional, que o Brasil ainda não se ressentiu dos efeitos da crise econômica
mundial, provocada pela crise imobiliária
nos Estados Unidos, mas que os investimentos internacionais podem ser atingidos.
Paulo Bernardo disse ainda que não é possível dimensionar o real alcance
da crise, mas recomendou cautela. “Com exceção
das oscilações da bolsa, não aconteceu nada até
agora no Brasil, não tivemos nenhum efeito prático da
crise. Por enquanto, não
temos crise aqui. Mas claro que caldo de galinha e cautela não
fazem mal a ninguém, e temos que trabalhar para não
ter [crise]”, disse.
Ele admitiu, no entanto, que um dos reflexos da crise pode ser a demora em conceder ao Brasil o chamado grau de investimento. Concedido por agências internacionais de classificação de risco, o grau de investimento faz com que um país seja considerado como de baixo
risco de inadimplência para os investidores internacionais.
“Com relação
ao grau de investimento, certamente essa incerteza internacional pode
provocar alguma dificuldade, mas o Brasil já vem sendo tratado
por setores do mercado como se fosse de grau de investimento”, observou.
A crise se intensificou nos Estados Unidos, desde o início do segundo semestre do ano passado, porque vários credores do setor imobiliário deixaram de pagar suas dívidas. Com a crise imobiliária, as instituições
financeiras passaram a ser mais cautelosas na concessão de
crédito, o que provocou retração na atividade
econômica.
Preocupado com uma possível escassez de alimentos que organizações internacionais vêm prevendo que ocorrerá em vários países, Paulo Bernardo disse que, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros de várias áreas vão elaborar um plano para que a produção brasileira de alimentos cresça com mais rapidez. “Se tem um país que tem facilidade de se
reposicionar rapidamente para aumentar a sua produção
de alimentos é o Brasil”, disse.
Paulo Bernardo acrescentou que a alta no preço do petróleo, no mercado internacional, abriu caminho para
atrair investidores interessados em explorar a commodity em parceria
com a Petrobras. “Não vou ficar falando de projeções
de produção, porque, depois, vão dizer que estão
vazando informações antecipadamente, mas nós
sabemos que o Brasil tem uma reserva extra, nova, muito grande, que
vamos ter que saber explorar”, disse.
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