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Brasília - As 22 propostas
aprovadas pela 1ª Conferência Nacional da Juventude serão
agora transformadas em um caderno de resoluções que
servirão de referência para orientar a política
nacional juventude. Segundo o secretário da juventude, Beto
Cury, é preciso que as demandas dos jovens se tornem públicas.
“É preciso
irradiar o resultado para estados e municípios. Nós
temos a clareza de que para a política de juventude se
consolidar como política de Estado, não sujeita à
troca de governantes, é fundamental que ela esteja presente lá
na ponta, nos municípios e estados também”, acredita.
Confira as 22 prioridades eleitas pelos 2 mil delegados que
participaram da conferência.
Reconhecimento e aplicação,
pelo Poder Público, transformando em políticas
públicas de juventude as resoluções do 1º
Encontro Nacional de Juventude Negra (Enjune), priorizando as mesmas
como diretrizes étnico/raciais de/para/com as juventudes.
Destinar parte da verba da educação
no ensino básico para o modelo integral e pedagógico
do CIEP’s (Centros Integrados de Educação
Pública).
Aprovação pelo Congresso
Nacional do marco legal da juventude: regime de urgência da
PEC n.º 138-B/2003, Plano Nacional de Juventude e Estatuto dos
Direitos da Juventude PL 27/2007.
Criar uma política nacional de
juventude e meio ambiente que inclua o Programa Nacional de
Juventude e Meio Ambiente, institucionalizado em PPA (Plano
Plurianual), com a participação dos jovens nos
processos de construção, execução,
avaliação e decisão, bem como da Agenda 21 da
Juventude que fortaleça os movimentos juvenis no
enfrentamento da grave crise ambiental global e planetária,
com a construção de sociedades sustentáveis.
Ampliar e qualificar os programas e projetos
de esporte, em todas as esferas públicas, enquanto políticas
de Estado, tais como os programas Esporte e Lazer da Cidade, Bolsa
Atleta e Segundo Tempo com núcleos nas escolas, universidades
e comunidades, democratizando o acesso ao esporte e ao lazer a
jovens, articulados com outros programas existentes.
Garantir o acesso à terra ao jovem e à
jovem rural, na faixa etária de 16 a 32 anos, independente do
estado civil, por meio da reforma agrária, priorizando este
segmento nas metas do Programa de Reforma Agrária do Governo
Federal, atendendo a sua diversidade de identidades sociais, em
especial aos remanescentes de trabalho escravo. É fundamental
a revisão dos índices de produtividade e o
estabelecimento do limite da propriedade para 35 módulos
fiscais.
Reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40
horas semanais sem redução de salários,
conforme campanha nacional unificada promovida pelas centrais
sindicais.
Defendemos que a ampliação do
investimento em educação é fator imprescindível
para construirmos uma educação de qualidade para todos
e todas e que consiga contribuir para o desenvolvimento do país.
Para tanto, defendemos o investimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) em educação.
Para atingir este percentual reivindicamos o fim da desvinculação
das receitas da união (DRU) e a derrubada dos vetos ao PNE
(Plano Nacional de Educação). Reivindicamos que 14%
dos recursos destinado às universidades federais seja destinado
exclusivamente à assistência estudantil por meio da
criação de uma rubrica específica. Defendemos
também a ampliação dos recursos em assistência
estudantil para estudantes do Programa Universidade para Todos
(Prouni) e para estudantes de baixa renda de universidades privadas.
Garantir a transparência e democracia na aplicação
dos recursos.
Criação, em todos os
municípios, de espaços culturais públicos,
descentralizados, com gestão compartilhada e financiamento
direto do estado, que atendam às especificidades dos jovens e
que tenham programação permanente e de qualidade. Os
espaços, sejam eles construções novas,
desapropriações de imóveis desocupados ou
organizações da sociedade civil já
estabelecidas, devem ter condições de abrigar as mais
diversas manifestações artísticas e culturais,
possibilitando o aprendizado, a fruição e a
apresentação da produção cultural da
juventude. Reconhecer e incentivar o hip hop como
manifestação cultural e artística.
Criar o Sistema Nacional de Juventude,
composto por Órgãos de Juventude
(secretarias/coordenadorias e outros) nas três esferas do
Governo, com dotação orçamentária
específica; Conselhos de Juventude eleitos democraticamente,
com caráter deliberativo, com a garantia de recursos
financeiros, físicos e humanos; Fundos nacional, estaduais e
municipais de Juventude, com acompanhamento e controle social,
ficando condicionado o repasse de verbas federais de programas de
projetos de juventude à adesão dos estados e
municípios a esse Sistema.
Implementar políticas públicas
de promoção dos direitos sexuais e direitos
reprodutivos das jovens mulheres, garantindo mecanismos que evitem
mortes maternas, aplicando a lei de planejamento familiar,
garantindo o acesso a métodos contraceptivos e a legalização
do aborto.
Contra a redução da maioridade
penal, pela aplicação efetiva do Estatuto da Criança
e do Adolescente.
Garantir uma ampla reforma política
que, além do financiamento público de campanha,
assegure a participação massiva da Juventude nos
partidos políticos, com garantia de cota mínima de 15%
para jovens de 18 a 29 anos nas coligações, com
respeito ao recorte étnico-racial e garantindo a paridade de
gênero. Mudança na faixa etária da elegibilidade
garantindo como idade mínima de 18 anos para vereador,
prefeito, deputados estaduais, distritais e federais e 27 anos para
senador, governador e presidente da República.
Fim da obrigatoriedade do serviço
militar e criação de programas alternativos de
serviços sociais não-obrigatórios.
Criar o Sistema Nacional de Políticas
Públicas de Juventude que confira status de ministério
à Secretaria Nacional de Juventude, exigindo que a adesão
de estados e municípios seja condicionada à existência
de órgão gestor específico e respectivo
conselho de juventude. A partir de dezembro de 2009, os recursos do
Fundo Nacional de Juventude, do ProJovem e demais programas de
juventude, apenas continuarão a ser repassados aos estados e
municípios que aderirem ao sistema.
Assegurar os direitos dos povos e das comunidades
tradicionais (quilombolas, indígenas, ciganos, comunidades de
terreiros, pescadores artesanais, caiçaras, faxinalenses,
pomeranos, pantaneiros, quebradeiras de coco babaçu,
caboclos, mestiços, agroextrativistas, seringueiros, fundos
de pasto, dentre outros que buscam ser reconhecidos), em especial da
juventude, preservando suas culturas, línguas e costumes,
combatendo todas as práticas exploratórias e
discriminatórias quanto a seus territórios,
integrantes, saberes, práticas culturais e religiosas
tradicionais.
Estabelecimento de políticas públicas
culturais permanentes direcionadas à juventude, tendo ética,
estética e economia como pilares, em gestão
compartilhada com a sociedade civil, a exemplo dos Pontos de
Cultura, que possibilitem o acesso a recursos de maneira
desburocratizada, levando em consideração a
diversidade cultural de cada região e o diálogo
intergeracional. Criação de um mecanismo específico
de apoio e incentivo financeiro aos jovens (bolsas) para formação
e capacitação como artistas, animadores e agentes
culturais multiplicadores.
Incentivar e garantir à Secretaria Nacional
de Segurança Pública (Senasp/MJ) a inclusão em todas as
esferas dos cursos de formação dos operadores/as de
segurança pública e privada em nível nacional,
estadual e municipal no atendimento e abordagem e no aprendizado ao
respeito à livre orientação afetivo-sexual e de
identidade de gênero com ampliação do DECRADI –
Delegacia de Crimes Raciais e Intolerância.
Ratificação imediata da
Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência
da Organização das Nações Unidas (ONU)
como emenda constitucional.
Garantia de políticas públicas
integradas que promovam a geração de trabalho e renda
para o jovem e a jovem do campo, com participação da
juventude na sua elaboração e gestão.
Assegurando o acesso à terra, à capacitação e
ao desenvolvimento de tecnologia sustentável apropriada à
agricultura familiar e camponesa voltada para a mudança de
matriz tecnológica. Transformar o Pronaf Jovem em uma linha
de crédito para produção agrícola e não-agrícola.
Assegurar, no âmbito das Políticas
Públicas de Segurança, prioridade às ações
de prevenção, promoção da cidadania e
controle social, reforçando a prática do policiamento
comunitário, priorizando áreas com altas taxas de
violência, promovendo a melhoria da infra-estrutura local,
adequadas condições de trabalho policial, remuneração
digna e a formação nas áreas de Direitos
Humanos e Mediação de Conflitos, conforme as
diretrizes apontadas pelo Programa Nacional de Segurança
Pública com Cidadania (Pronasci).
Estabelecimento de cotas de exibição
e programação de 50% para a produção
cultural brasileira, sendo 15% produção independente e
20% produção regional em todos os meios de comunicação
(TV aberta e paga, rádios e cinemas). Valorização
dos artistas locais garantindo a preferência nas apresentações
e prioridade no pagamento. Entender os cineclubes como espaços
privilegiados de democratização do áudio visual.
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