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Brasília - Pela primeira vez no primeiro trimestre, o
Brasil teve um superávit nominal - receitas menos despesas,
incluídos gastos com juros. De acordo com o Banco Central, de
janeiro a março deste ano o superávit foi de R$ 3,043
bilhões, o que significa que o governo teve mais receitas
(arrecadação tributária) do que despesas
(pagamento de juros e despesas correntes, como gastos com pessoal e
investimentos).
Segundo o chefe do
Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, em
março a elevação das receitas, de R$ 1,5 bilhão,
na comparação com fevereiro, foi resultado do
recolhimento da primeira cota do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica
(IRPJ), dos dividendos das empresas estatais pelo governo federal e
do recebimento de valores referentes a concessões do governo
para o setor privado na área de petróleo e gás.
As despesas no
trimestre cresceram R$ 600 milhões. Para o resultado
contribuíram a redução de R$ 500 milhões
de gastos com pessoal e encargos, a elevação dos
investimentos de R$ 900 milhões e a redução de
R$ 1,5 bilhão nas transferências para estados e
municípios. Outro fator foi o aumento elevação
do déficit da Previdência de R$ 600 milhões,
influenciado pelo reajuste do salário mínimo.
“Essa composição
de maiores receitas e de gastos crescendo de forma muito mais
moderada é que levou a esse resultado expressivo nas contas
primárias do setor público consolidado [União,
estados, municípios e empresas estatais]”, explicou
Altamir Lopes.
Além das
receitas e despesas, o resultado nominal conta com o peso do
pagamento de juros, que chegou a R$ 11,413 bilhões no mês
passado, o valor mais baixo desde março de 2004 (R$ 10,207
bilhões). No acumulado do ano, esse valor chegou a R$ 39,988
bilhões, maior do que os R$ 38,851 registrados no mesmo
período do ano passado.
Em março, a
menor a carga juros foi influenciada pela redução da
cotação do dólar. “A depreciação
de 3,91% afeta alguns ativos que são indexados a câmbio.
Isso leva a uma carga de juros mais baixa”, disse.
Altamir Lopes explicou
que esse resultado nominal é importante porque reduz o
endividamento do setor público.
“Houve a
possibilidade de não só gerar uma resultado primário
positivo [economia que o governo faz para pagar os juros da
dívida], mas pagar todos os juros incidentes sobre a
dívida e ainda sobrou recursos. O resultado nominal é
que vai ditar o ritmo de endividamento. Quanto menor o resultado
nominal, melhor vai ser a dinâmica da dívida”,
explicou.
“Do ponto de vista
familiar, é como se você tivesse poupado o suficiente
para pagar os juros do cheque especial e ainda sobrou um pouquinho”,
disse Lopes.
De acordo com os dados
do Banco Central, a relação entre dívida e
Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços
produzidos no país -, ficou em 41,2%, o mais baixo desde 1998
(38,9%). Em reais, a dívida ficou em R$ 1,141 bilhão.
Altamir Lopes explicou
que o câmbio atua sobre o endividamento: para cada 1% de
depreciação do dólar, há uma redução
de 0,11 ponto percentual na relação entre dívida
e PIB.
“Então, a
depreciação de 3,91% gerou uma redução na
relação dívida PIB. Em termos nominais, essa
redução se traduziu em R$ 9,645 bilhões”,
disse.
Em março, a
economia que o setor público fez para o pagamento de juros da
dívida chegou a R$ 15,403 bilhões, o maior resultado
para meses de março, sendo que a maior contribuição
foi do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência)
com R$ 11,039 bilhões. No acumulado do ano, o superávit
primário chegou a R$ 43,032 bilhões, também o
melhor resultado histórico.
No mesmo período
do ano passado, esse valor era de R$ 27, 274 bilhões. O motivo
para essa diferença, segundo Altamir Lopes, é o aumento
da arredação.
Mesmo pagando
dividendos, as empresas estatais tiveram um superávit primário
de R$ 1,573 bilhão em março. Os governos estaduais e
municipais contribuíram com R$ 2,791 bilhões para o
superávit.
* Atualizada às 20h01 para complementar informação
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