O número de casos de dengue no estado de Sergipe cresceu 85% em abril, e o estado já registra 9 mil notificações este ano. Até março, a Secretaria Estadual de Saúde havia registrado 1.221. A situação no estado é de epidemia, com cerca de 500 casos para cada 100 mil habitantes. Até março, o número de casos já era 600% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.
A crise de dengue no Nordeste, que teve seis das nove capitais da região apontadas como locais de alerta, está sendo discutida hoje (30) entre autoridades estaduais e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que participa do Fórum de Governadores do Nordeste, em Maceió.
“Em Sergipe tivemos um acréscimo significativo [de casos] desde o mês de março – vínhamos identificando o aumento desde fevereiro e, por conta disso, estamos reforçando ações para combate ao mosquito [Aedes aegypti, transmissor da doença]”, afirmou a secretária adjunta de Saúde do estado, Mônica Sampaio.
Pressionado pelo aumento de registro de casos, o estado criou mais 171 leitos de hidratação na rede pública de hospitais e está oferecendo uma gratificação extra aos agentes comunitários de saúde que atuam no combate ao Aedes aegypti.
Em parceria com o governo federal, a Secretaria Estadual de Saúde pretende implantar um “ecoponto” para descarte de pneus usados – que acumulam água parada e servem de criadouro para o mosquito.
Na opinião da secretária adjunta, a estabilização dos casos e o fim da epidemia de dengue em Sergipe dependem da colaboração da sociedade. “É importante a participação da população, já que 80% dos criadouros são domiciliares, estão dentro das casas. O mosquito se urbanizou. Nós somos um estado endêmico e, para a gente controlar essa epidemia, é preciso mudar comportamentos”, aponta.
Além de demandas imediatas para controlar a dengue na região, a baixa disponibilidade de médicos para o sistema público de saúde da Região Nordeste também está na pauta das discussões com o ministro José Gomes Temporão, disse Mônica Sampaio. “Temos dificuldade de recrutamento de médicos, faltam políticas de fixação, de interiorização desses profissionais."