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Brasília - A fiscalização
de gastos de dinheiro público por municípios está
ameaçada. Analistas e técnicos de finanças e
controle da Controladoria Geral da União (CGU) e da Secretaria
do Tesouro Nacional (STN) pretendem adiar o controle se
não houver um reajuste salarial para a categoria.
A CGU realiza hoje (30) à tarde o
sorteio dos 60 municípios que serão fiscalizados, entre os cerca de 5,5 mil existentes no país, segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). De
acordo com o presidente na União Nacional dos Analista e
Técnicos de Finanças e Controle (Unacon), Fernando
Antunes, a categoria apóia a fiscalização, mas
quer o apoio do governo. “Entendemos que o nosso salário já é alto dentro do estado brasileiro, no entanto, a
sociedade tem visto, ao longo desses anos, o quanto nossa
carreira é importante. Precisamos de reconhecimento do
governo”, disse.
O ministro chefe da
CGU, Jorge Hage, lamenta que um possível boicote atrapalhe a
fiscalização. “Só tenho que lamentar. Quem vai
festejar são os bandidos e os corruptos dos estados e municípios. A fiscalização
é necessária para que tenhamos um maior rigor nos
gastos com o dinheiro público”, disse.
De acordo com Antunes,
a categoria quer equiparação salarial com os auditores e fiscais da Receita Federal, o que representa um aumento bruto de pelo menos R$ 4 mil no rendimento mensal. Isso faria com que os analistas e técnicos
não trocassem a carreira na CGU e na STN pela carreira na
Receita Federal.
“Além dos
concursos anuais [que contratam cerca de 300 pessoas] é
preciso manter os servidores que passam nesse concurso. No
entanto, considerando que o salário deles é cerca de
20% menor do que o de outras carreiras do serviço público,
no primeiro concurso pra outras carreiras, eles se inscrevem e
passam. E a gente fica sem o número adequado [de pessoal]”, lamenta o
presidente. O presidente da Anauni
estima que a cada ano de 20% a 30% dos novos funcionários
concursados abandonem a CGU para trabalhar em outros órgãos
públicos. Atualmente cerca de dois mil auditores e técnicos do órgão estejam em atividade. O ideal de acordo com Antunes é que cinco mil funcionários estejam em atividade para que o trabalho seja feito com qualidade.
A categoria vai esperar um posicionamento do governo
federal até a semana que vem. De acordo com o presidente a
Unacon, a greve é o último recurso que a categoria pode
usar para ter a reivindicação aceita.
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