A grande quantidade de chuvas que atingiu a região Nordeste no mês de abril é uma das causas para o crescimento do número de casos de dengue registrados pelas autoridades de saúde do Rio Grande do Norte, de acordo com o coordenador de Epidemiologias do estado, Alexandre Menezes.

“A combinação de chuvas com muito calor e umidade favorece a proliferação do inseto [mosquito Aedes aegypti]”, aponta.

O estado já contabilizou cerca de 15 mil casos este ano, além de 580 suspeitas de febre hemorrágica por dengue, forma mais grave da doença. O índice de infestação – que revela o percentual de residências com focos do Aedes aegypti – chega a 10%. O recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é que esse número seja inferior a 1%.

“Existe uma epidemia em curso no estado há mais de um mês. Cerca de 20 municípios já têm uma incidência maior que 300 casos para cada 100 mil habitantes”, contabiliza.

Segundo Menezes, por causa da alta incidência de suspeitas de dengue do tipo hemorrágica, a atuação dos órgãos de saúde estaduais e municipais está concentrada na assistência aos pacientes, para diminuir a letalidade da doença, que já matou duas pessoas no estado e pode ser a causa da morte de outras 33.

Entre as medidas prioritárias estão a criação de leitos de hidratação, contratação pessoal e capacitação para médicos. “Infelizmente, a meteorologia ainda está prevendo uma grande quantidade de chuvas para o estado. E isso dificulta muito o trabalho de controle, inclusive pela dificuldade de acesso dos agentes de saúde aos locais de infestação”, relata Menezes.

A epidemia de dengue na região Nordeste foi um dos temas discutidos hoje (30) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, com gestores de saúde da região durante o Fórum de Governadores do Nordeste, em Maceió (AL).