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Brasília - A área destinada ao Projeto
Pontal, em Petrolina (PE) deverá estar ocupada, irrigada e produzindo em, no máximo, seis anos. A previsão é do diretor da unidade de Parceria Público-Privada (PPP), do
Ministério do Planejamento, Isaac Averbuch. Ele disse que as obras de irrigação do Pontal serão feitas por meio de uma PPP, que será
a primeira desse modelo feita pelo governo federal.
A
documentação do projeto já foi encaminhada para
análise do Tribunal de Contas da União (TCU). Só as
obras civis de infra-estrutura de irrigação devem
custar R$ 94 milhões ao investidor privado que integrar a
parceria. O governo vai entrar com, no máximo, R$ 208 milhões
ao longo de 25 anos, que é o prazo do projeto.
O
Projeto Pontal teve início em 1996, com orçamento público, mas teve poucos avanços por falta de recursos. O projeto foi
escolhido por se o menor na área de irrigação
que será beneficiada pelas PPPs. Existe a previsão de
usar a parceria também nos perímetros de Salitre e Baixio
de Irecê, na Bahia.
“Como
esses são bem maiores, a gente resolveu, em sendo a primeira
PPP, começar com um projeto menor, uma espécie de
piloto, para depois aproveitar a experiência desses projetos no
desenvolvimento dos demais”, explicou Averbuch.
A
escolha do empreendedor privado, por meio de licitação,
vai levar em conta questões técnicas e financeiras.
Quem se dispuser a ocupar o maior percentual da área com
pequenos e médios agricultores (o mínimo é de
25%), ganhará mais pontos na licitação. E quem
exigir menos dinheiro do governo para desenvolver o projeto também
vai marcar pontos.
O
governo vai pagar 10% da sua parte quando a água estiver
disponível nos lotes e mais 40% quando a terra estiver
ocupada, em um prazo estimado entre dois e seis anos. Os
outros 50% serão diluídos ao longo da concessão
para operação e manutenção. “Não
basta botar água na porta, a terra tem que estar ocupada e
produzindo”, diz Averbuch, ressaltando que a grande dificuldade do
governo nos projetos de irrigação tem sido garantir a
ocupação da terra de forma sustentável.
O
investidor privado poderá escolher as culturas que serão
implementadas na região, mas o governo acredita que a
prioridade será dada para a fruticultura. “Mas nada impede
que ele possa colocar lá dendê para fazer biodiesel, por
exemplo”, diz o diretor.
O
Projeto Pontal envolve uma área de 33,5 mil hectares, dos
quais 7,7 mil hectares serão destinados à irrigação.
O restante será utilizado para atividades como produção
de mel e caprinocultura, além da reserva legal.
Está
prevista a criação de 20 mil empregos entre diretos e
indiretos com o projeto, e a prioridade deverá ser dada para
pessoas da região.
Averbuch lembrou que o local onde será implementado já foi alvo de invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e que, nessas ocasiões, os integrantes do movimento foram retirados. Segundo o diretor da unidade de PPP, uma possível ação do MST no local não preocupa o governo. “Não
temos nenhum receio de que o projeto não vá decolar ou
que tenha problemas de licitação por causa de invasões
ou manifestações”, afirmou.
O
chefe da Assessoria Econômica do Ministério do
Planejamento, Luiz Awazu Pereira, disse que o sistema das PPPs é uma forma de o governo melhorar a qualidade do
gasto público. “Existe um esforço para que a
disponibilidade orçamentária seja multiplicada, com
a participação do setor privado, seja via concessão,
seja via PPP, para ampliar a nossa capacidade produtiva”, disse.
O
projeto de lei que criou as PPPs
foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em
dezembro de 2004.
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