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2 de Maio de 2008 - 20h30 -
Última modificação
em 2 de Maio de 2008 - 20h56
Líder afirma que estatuto não torna Santa Cruz estado independente
Alex Rodrigues
Enviado especial
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Marcello Casal Jr/ABr
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Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - O presidente do Comite Pró-Santa Cruz, Branco Marinkovic, fala sobre o referendo relativo ao estatuto autonômico, marcado para o dia 4 de maio
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Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - "Os grupos políticos que reivindicam a autonomia de Santa Cruz jamais defenderam que o estado mais rico da Bolívia se separasse do restante do país", afirmou hoje (2) o fazendeiro Branco Marinkovic, presidente do Comitê Pró-Santa Cruz, entidade civil que incentivou a elaboração do Estatuto Autonômo do estado, que motivou a consulta popular deste domingo (4).
“Este nunca foi um movimento pela independência do estado”, declarou Marinkovic, negando que a consulta sirva para prejudicar o presidente Evo Morales. “Isso não tem nada que ver com o governo de Morales. É um processo de muitos anos e que chegou ao seu ápice agora, mas que poderia acontecer com qualquer outro presidente”.
Possível candidato da oposição à Presidência da Bolívia, Marinkovic está entre os homens mais ricos do país. Segundo ele, o Estatuto Autonômo de Santa Cruz é “solidário”, pois leva em consideração as necessidades dos setores mais pobres da população. Ele garante que tudo o que os favoráveis à proposta desejam é que "o estado tenha o direito de aplicar os recursos a que tem direito, conforme suas prioridades".
“O que o estado fará será legislar sobre como gastar seus próprios recursos. Queremos manejar esses recursos na própria região. Quem melhor que um habitante para saber se necessitamos de um médico ou de um professor? Queremos tomar decisões como essa aqui mesmo, sem esperar pela determinação de um ministro, que está em La Paz”, disse Marinkovic.
Segundo ele, o estatuto não acarretará qualquer mudança no controverso tema da exploração de recursos naturais, como o petróleo e o gás natural. “O Estatuto é muito claro. O estado não irá legislar sobre os hidrocarbonetos, que vai seguir sendo de competência nacional. O estado vai legislar apenas sobre como gastar o que recebe de royalties. E esses valores também não mudarão”.
Afirmando que a população de Santa Cruz de la Sierra é pacífica, Marinkovic disse não acreditar em conflitos. E voltou a insistir que a consulta não se trata de um movimento separatista.
“Quando pedimos para eleger nossos governadores nos chamaram de separatistas. Quando pedimos para escolher nossos prefeitos aconteceu o mesmo”, disse Marinkovic, defendendo a realização da consulta, mesmo que a Corte Nacional Eleitoral (CNE) e organismos internacionais não reconheçam a validade da iniciativa. “Esta é a vontade de um povo que, em 2006, já votou pela autonomia e cujo desejo não foi respeitado”, disse Branco Marinkovic.
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