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Brasília - O ex-ministro da Agricultura, Roberto
Rodrigues, disse hoje (3) que as declarações dos relatores da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a necessidade de suspender a produção de combustíveis demostram “completo
desconhecimento" do assunto e também sobre a falta de
alimentos no mundo.
“O desequilíbrio entre oferta e demanda é que
derrubou os estoques de milho, trigo e arroz, no mundo, em 50% do que
eram há sete anos atrás”, afirmou Rodrigues, que foi ministro da pasta até junho de 2006.
Para Rodrigues, as afirmações dos relatores da ONU são equivocadas. Olivier de Schutter, recém-empossado como relator sobre o direito à alimentação, pediu a suspensão de novos investimentos, em seu discurso de posse, ontem (2), em Nova Iorque.
E, dias atrás, antes de entregar o cargo ao belga, o suíço Jean Ziegler foi mais enfático e pediu a suspensão total da produção de biocombustíveis por considerar que é uma das causas do aumento dos preços dos produtos agrícolas.
Na análise de Rodrigues, a alta do
preços dos alimentos se deve, dentre outros fatores, ao desequilíbrio entre a oferta e a demanda, ao aumento dos
custos de produção - que subiram com o reajuste do petróleo e dos fertilizantes - e
também por conta da atuação de especuladores no setor de alimentos. “A
especulação em torno dos alimentos tanto derruba preços, como aumenta”, constatou.
Ele rebateu afirmações de que não há espaço para plantar culturas destinadas à produção de biocombustíveis, o que, na opinião de analistas internacionais, tomaria o lugar das culturas alimentícias, provocando uma crise alimentar. Segundo o ex-ministro, há espaço, na região tropical, para produzir mais alimento, sem prejuízos à produção de
biocombustíveis e vice-e-versa. Para
ele, o papel da ONU deveria ser o de defender a derrubada dos
subsídios agrícolas em países ricos, cuidar da paz e da democracia. Ele
acrescentou que colocar-se contra os
biocombustíveis é “uma ofensa ao desenvolvimento equilibrado do
planeta.” Rodrigues concluiu que “sem energia, o mundo não se desenvolve mais. A agroenergia
vem aproximando ricos e pobres.”
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