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Brasília - Organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência promovem desde o início
da manhã de hoje (3), em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro,
um ato de protesto contra a não- ratificação
pelo Brasil da Convenção dos Direitos das Pessoas com
Deficiência, da Organização das Nações
Unidas (ONU). O documento entra em vigor hoje (3) em todo o
mundo.
Durante todo o dia, os organizadores recolhem
assinaturas para encaminhar, nas próximas semanas, uma nota de
pesar aos parlamentares brasileiros. Ações semelhantes
ocorrem em outras capitais do país, como São Paulo e
Belo Horizonte.
Segundo Andrei Bastos, assessor de comunicação
do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência
(IBDD), a demora é decorrência da falta de vontade
política e representa um atraso para o país.
"O Brasil vive uma
contradição terrível. Ele tem uma legislação
sobre esse tema considerada por inúmeros institutos
internacionais como a melhor das Américas. No entanto, é
um dos últimos no cumprimento dessas leis. Isso ocorre porque
só temos que prestar contas a nós mesmos. Com a convenção,
os países passam a prestar contas ao resto do mundo. A
ratificação garantiria maior força política
às pessoas com deficiência", afirmou.
De acordo com Bastos, o
principal avanço proporcionado pelo documento é a
mudança na forma histórica de se enxergar as pessoas
com deficiência.
"Essa questão
sempre foi entendida como sendo médica, o que não
corresponde à realidade, porque deficiência não é
sinônimo de doença. A convenção traz a
percepção de que se trata de uma questão social,
de direitos e de cidadania. E o texto legal muda essa postura
assistencialista que sempre existiu", explicou.
Discutido
durante quatro anos, o documento foi aprovado por unanimidade pelos
192 países membros da ONU em 13 de dezembro de 2006. O Brasil
assinou a convenção há um ano, mas sua adoção
ainda depende de aprovação pela Câmara dos
Deputados e pelo Senado Federal e de sanção presidencial.
Depois disso, o país
será obrigado a eliminar leis, costumes e práticas que
representem discriminação contra as pessoas com
deficiência. Uma comissão independente, formada por
especialistas, deve analisar os avanços obtidos pelos países
que ratificaram a convenção.
A ratificação
imediata do texto da ONU também foi cobrada durante a 1ª
Conferência Nacional da Juventude, na última
quarta-feira (30). O tema foi incluído como uma das 22
propostas aprovadas durante o encontro, em Brasília.
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