A consulta popular sobre o Estatuto de Autonomia do estado de Santa Cruz começou hoje (4) às 8h (9h, no horário de Brasília) e vai até as 17h, e em algumas localidades mais distantes, até as 19h. Apesar de alguns conflitos em pontos isolados do estado, a situação é considerada tranqüila pelas autoridades eleitorais locais.
A segurança está sendo feita pelas guardas municipais nas 15 províncias que compõem o estado, uma vez que a Força Nacional não foi mobilizada, porque o governo do presidente Evo Morales não reconhece a constitucionalidade da consulta.
Apenas um pelotão da Força Nacional foi deslocado, ontem (3) à noite, para a Província de San Julian, a 150 quilômetros da capital do estado, Santa Cruz de la Sierra, onde ocorreram alguns conflitos. A situação ainda é considerada tensa porque San Julian concentra um grande número de pessoas contrárias à realização da consulta, como também é o caso das províncias de Ñuflo de Chaves, Yapacani, Los Troncos e Quatro Cañadas, e mais o bairro de Plan Tres Mil, na capital.
Também ontem, na Província de Yapacani, a 130 quilômetros da capital, manifestantes contrários à consulta bloquearam ruas, com pneus, paus e pedras, e queimaram urnas de papelão, que seriam utilizadas na votação de hoje. Desde as 8h da manhã de sexta-feira (2), vigora em todo o estado a lei seca (proibição de venda de bebidas alcoólicas), que se estenderá até as 19h de hoje, após o encerramento da consulta. Houve registro de pessoas que foram encontradas bebendo, mas a guarda municipal se mantém vigiando e reprimindo o consumo de bebidas alcoólicas.
A Corte Departamental Eleitoral de Santa Cruz habilitou 935.527 pessoas para votar na consulta popular, o que significa um crescimento de 11,5% de eleitores em relação a semelhante consulta realizada em 2 de julho de 2006 - a primeira consulta sobre a autonomia administrativa, política e financeira do estado contra a subordinação ao governo federal, em que foi vencedora a proposta do "sim".